08 de julho de 2026
Internacional

Farc propõem diálogo com líder eleito

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bogotá - O líder máximo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Alfonso Cano, sugeriu ao presidente eleito colombiano, Juan Manuel Santos, o restabelecimento do diálogo na busca de saída negociada para o conflito armado no país.

Em mensagem de pouco mais de meia hora divulgada ontem em site ligado à narcoguerrilha, Cano diz estar, “uma vez mais”, propondo que Farc e o governo colombiano conversem.

“Nós seguimos empenhados em buscar saídas políticas. Desejamos que o governo que assumirá reflita, que não engane mais o país”, diz o vídeo, datado deste mês.

O aceno ocorre a uma semana da posse de Santos e em meio a mais uma crise regional tendo como pivô justamente as Farc. Segundo o presidente Álvaro Uribe, até 1.500 membros da guerrilha encontram abrigo na Venezuela do rival Hugo Chávez.

Mensagens similares foram dirigidas a Uribe - e rejeitadas -, mas esta é a primeira ao eleito. Até ontem, Santos, que assumirá no dia 7, não comentara o vídeo.

Antes de ser eleito em junho como o candidato governista e prometendo dar continuidade às políticas da “segurança democrática’’ linha-dura de Uribe, Santos atuou como ministro da Defesa do atual governo e foi responsável pelos mais duros golpes sofridos pela narcoguerrilha.

Em 2008, esteve à frente do ataque colombiano a um acampamento das Farc no Equador que matou o número 2 do grupo, Raúl Reyes.

Meses depois, promoveu o resgate de Ingrid Betancourt, a ex-candidata presidencial em cativeiro desde 2002.

Na mensagem, Cano propõe que se fale da “indignidade que é ter na Colômbia sete bases militares com tropas americanas’’, em referência a acordo, costurado por Santos, que permite o uso de bases no país pelos EUA.

Cano sugeriu ainda abordar temas de direitos humanos, direito internacional humanitário, a posse de terras e os modelos político e econômico adotado na Colômbia.

“Não ocultem ao país o custo tão grande da guerra, os mortos que estão sendo apresentados”, disse Cano.

“É possível que o país resolva essa situação... por meio do diálogo, de propostas políticas, de diplomacia.”