A melhor e única forma de transformar o mundo em um lugar mais agradável de se viver é sendo solidário. Além de servir para ajudar quem necessita de ajuda, a solidariedade torna as pessoas mais humildes, mais companheiras e menos individualistas. Para o coordenador do Projeto Alegria, Paulo Roberto Migues, o voluntário não pensa apenas em si, mas também em seu semelhante e se preocupa com ele.
Paulo faz parte do projeto há 8 anos. Por experiência própria, ele afirma que o trabalho voluntário o fez crescer como pessoa. E, segundo ele, o mesmo ocorre com todos que passam por isso. “O mundo está muito egoísta. O voluntariado é uma forma de aumentar o amor entre as pessoas”, diz.
De acordo com o coordenador, até mesmo o relacionamento dentro de casa muda porque o voluntário fica mais compreensivo, dialoga mais e consegue expressar seus sentimentos com mais facilidade. “O abraço fica mais fácil”, frisa.
Eduardo Galeskas, que também faz parte do Projeto Alegria, dá uma pequena prova disso. “Quando passei a fazer parte do grupo, eu era muito tímido. Com o tempo, o trabalho foi me deixando mais solto em todos os sentidos. Mudei completamente meu comportamento”, comemora.
Segundo ele, as pessoas que fazem parte do projeto, às vezes, surpreendem-se consigo mesmas. “Nós fazemos coisas que nós mesmos nos surpreendemos. Coisas que achamos que jamais faríamos”, conta Eduardo.
O presidente do projeto, Guilherme Sbeghen Pelegrini, atuou por bastante tempo como voluntário na ala do Hospital Estadual onde ficam os pacientes com problemas cardíacos. Ele relata que em vários casos, a visita dos voluntários era a única que eles recebiam a semana toda.
“Então, aqueles momentos que permanecíamos com eles, eram muito significativos. É nessas horas que nós vemos o quanto um pouco de atenção e carinho faz falta e faz bem.” Segundo ele, só de chegar no quarto e ouvir o que eles tinham a dizer era o suficiente para deixá-los satisfeitos.
Isabella Lima foi uma das últimas “aquisições” do grupo. Com apenas 16 anos, ela diz que fazia tempo que queria trabalhar como voluntária. Ainda na fase inicial das atividades, conta que está gostando da experiência.
Quem também está curtindo o trabalho é Rosangela Diegoli, 16 anos. Ela está no projeto desde o início deste ano. Todos os sábados, ela atua como voluntária na ala pediátrica do Hospital Estadual.
Ela conta que um dos momentos mais marcantes para ela foi quando entrou em um quarto e recebeu um sorriso como boas-vindas de um menino que, até então, não havia sequer esboçado um sorriso para ela ou para qualquer outro do grupo nas visitas anteriores. “Fiquei emocionada com aquilo”, lembra.
Para o coordenador Paulo Migues, o trabalho voluntário deveria ser um estágio obrigatório para todas as pessoas. Na opinião dele, o ser humano tem muito a ganhar com uma vivência como essa. Além do Projeto Alegria, Paulo mantém um trabalho voluntário paralelo junto às crianças no Centro de Reabilitação Sorri, de Bauru.
Já os Amarelinhos, ligados ao Grupo Irmã Scheilla, atuam no Hospital de Base, Pronto-Socorro Municipal, Maternidade Santa Isabel e Hospital Manoel de Abreu, entre outros locais. Com o violão debaixo do braço, eles levam muita música e descontração para onde vão. Além disso, dão apoio material não apenas aos que estão internados, mas também aos acompanhantes.
O grupo oferece roupas, artigos de higiene, fraldas geriátricas e alimentação nas casas de apoio que possuem anexas ao Hospital de Base, no Manoel de Abreu e na Maternidade.
“Para mim, o trabalho voluntário é uma terapia. Às vezes, nós nos achamos a pior pessoa do mundo, mas quando fazemos as visitas vemos que o nosso problema não é nada comparado ao de outras pessoas”, diz Rosa Ângela Toniato Puls, coordenadora geral do Grupo Amarelinhos.
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‘Os olhos deles brilham com visitas’
As 147 crianças que são atendidas pelo Centro de Interação Social (Cite) do Parque Santa Cândida estão entre as beneficiadas pelas visitas dos voluntários do Projeto Sorrir. Todas as vezes que eles se fazem presentes é uma grande festa. “Dá para ver nos olhos deles o quanto gostam dessas visitas. Eles brilham”, diz a assistente social Idalina Lima.
Ela relata que quando os voluntários chegam, as crianças pulam em cima, querem sentar no colo, colocar nariz de palhaço. “Eles se entregam”, conta. Para a assistente social, a receptividade aos voluntários do Projeto Sorrir é uma mostra do quanto aquelas crianças são carentes de afetividade e como elas gostam quando os adultos entram no mundo deles, no mundo das brincadeiras.
“Não é presente que eles esperam. O que eles querem é a presença, é o carinho, o amor, o envolvimento, o ser criança junto com a criança”, diz.
Idalina conta que toda vez que o grupo passa por lá, ela nota que as crianças ficam mais soltas, melhoram o comportamento, sentem-se mais crianças. “As vezes, a vida é tão complicada na casa deles que eles amadurecem muito cedo. Eles passam a se comportar como adultos. Deixam de ser criança muito cedo”, lamenta.
O Cite atende crianças que vivem em situação de risco. São crianças que ficam sozinhas em casa enquanto os pais saem para trabalhar ou estão desempregados.
De acordo com a psicóloga Maria Alice Ferraz Troijo, quando os voluntários se vestem de palhaço e começam a brincar, eles aproximam as crianças do mundo delas e, com isso, ajudam a amenizar o sofrimento. O mesmo ocorre com os adultos quando, por exemplo, os voluntários cantam músicas que os fazem lembrar de bons momentos.