08 de julho de 2026
Regional

Postos apostam em novo conceito

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os postos de abastecimento de combustíveis estão vivendo uma nova era focados na modernização. O conceito vem dos Estados Unidos onde são conhecidos por one-stop- shopping que é sinônimo de espaços funcionais, comércio que agrega loja de conveniência com inúmeros produtos, conserto rápido de roupa, sapato e alimentação.

Na região, alguns deles estão fazendo sucesso junto ao público-alvo aliando culinária típica, conceito americano, temas na ambientação e layout. Os postos temáticos atraem a família com ‘produtos’ diferenciados que atendem a necessidade daquele momento. Quem apostou na “tematização” diz que a frequência de público aumentou 30%.

O diretor do departamento de postos de estradas do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), Luiz Antônio da Silva, ressalta que os postos de rodovias estão passando por um processo já vivenciado pelos mercados que hoje são hiper e pelas farmácias que ganharam espaço por oferecer além dos remédios.

Na opinião dele, as unidades de abastecimentos de combustível fora da área urbana que não se adaptar às exigências do consumidor, podem sucumbir. “A modernização das paradas aconteceu com os mercados e farmácias e nem por isso todas quebraram. Com os postos está ocorrendo o mesmo. Quem tem as regras são os clientes.”

Agregar valores ao segmento porque a mudança nas exigências ocorre em ‘alta velocidade’. “O cliente não quer apenas abastecer o veículo. Ele quer aproveitar o tempo que o carro está sob cuidados do frentista para mandar um e-mail, então é necessário ter espaço para Internet. Quer um banheiro limpo, um fraldário e um bom cardápio para atender as necessidades dele e da família, quando em passeio.”

Silva é enfático em dizer que a margem de lucro do produto combustível é pequena e muito acirrada pela concorrência. “A rentabilidade do negócio fica apertada em função da concorrência no preço. Manter a estrutura de uma unidade não urbana é difícil. O proprietário tem que ir até o local todos os dias para buscar o dinheiro e fazer o depósito. Tem que oferecer transporte e alimentação para os funcionários, isso tudo tem um custo. A saída é agregar valores.”

O analista de atendimento do Sebrae/Ourinhos, Cássio Antônio Gimiliani, concorda que o combustível não dá tanto lucro e com a escassez de tempo é preciso centralizar outros serviços em uma única parada. “O cliente quer fazer uma parada e suprir todas as suas necessidades. Os postos estão agregando vários serviços. Alguns deles têm até salão de beleza. É um verdadeiro mix.”

Na opinião do analista, a transformação do segmento segue uma tendência motivada pela falta de tempo do consumidor. “As pessoas que estão na estrada não querem entrar na cidade para procurar um tipo de serviço. Elas preferem fazer a parada de abastecimento e aproveitar o tempo para efetuar outros serviços. Na companhia da família, os viajantes querem um local atrativo, limpo que possa acolher sua mulher e filhos.”

Gimiliani frisa que em alguns postos é possível encontrar além da loja de conveniência até salão de beleza. “Tem fast food, lavanderia e pequenos consertos de roupa e sapatos, atendendo aquele consumidor que em viagem precisa de recuperar a roupa que foi manchada ou rasgada no trajeto.”