Nos meus 15 anos de idade (1942), lendo o noticiário esportivo de um dos jornais bauruenses, deparei com a informação sobre a contratação, pelo E.C. Noroeste, do jogador que tinha o apelido de Xandú. Logo me lembrei de um personagem da época, herói das histórias em quadrinhos e, na oportunidade, senti uma certa curiosidade em torno daquele novo reforço noroestino.
Tomei conhecimento de que ele tivera rápida passagem pelo Bandeirantes de Birigui e agora passaria a integrar o elenco do Alvirrubro. Naqueles anos, a zaga do Noroeste era formada pelo Irineu Marques Ferreira (Pé-de-boi) e Leonidas (Fifi), este veio a falecer logo depois, Toribio, Segala e Marray, foram outros jogadores que defenderam aquele setor do onze ferroviário.
Mas foi Xandú quem conquistou a posição ao lado do também saudoso e eficiente Pé-de-boi, formando uma dupla que durante longos anos foi uma verdadeira muralha difícil de ser vencida. Nos jogos frente ao eterno rival – Lusitana F.C. (depois Bauru A.C.), foram eles o sustentáculo quando das inesquecíveis vitórias contra o valoroso adversário.
Em um dos primeiros jogos no Noroeste, Xandú conquistou a torcida noroestina e, porque não dizer, toda Bauru, por ocasião de um jogo em Alfredo de Castilho, contra o C. A. Juventus da Capital, na época o quinto colocado no Campeonato Paulista de Futebol. O Noroeste vencia por 1 a zero até o último minuto quando, em um ataque desesperado do onze paulistano, a bola se encaminhava para o fundo das redes noroestina, mas aí surgiu a figura maiúscula de Xandú que, em uma jogada conhecida pelo nome de bicicleta, salvou a meta do onze bauruense.
Ao término da partida, parte da torcida não se conteve e invadiu o gramado, carregando nos ombros o então novel craque do Alvirrubro. Naquela tarde, Xandú ganhava a confiança e a admiração dos torcedores do E.C. Noroeste e tornando-se, no decorrer do tempo, em um dos seus maiores ídolos. (Luciano Dias Pires – jornalista)