09 de julho de 2026
RH & Tendências

Cresce contratação de profissionais com mais de 50 anos de idade

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Ao invés de empecilho, os janeiros a mais nas costas agora são importante trunfo na hora de achar emprego. Antes obstáculo para quem passou dos 40, a idade hoje é forte aliada na briga por um lugar ao sol no mercado de trabalho.

Se em outros tempos a juventude era o maior requisito nas contratações, agora parece ser a vez dos profissionais com maior bagagem encabeçarem a lista dos preferidos pelos departamentos de RH em diversas empresas.

Um recente levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta aumento de 80% nas contratações de profissionais com mais de 50 anos no País. Essas alta é verificada nos últimos oito anos e atribuída por especialistas, entre outros fatores, ao aquecimento da economia no País.

A alta demanda produtiva gera dentro das empresas uma necessidade em contar com profissionais que cheguem e resolvam os problemas. O contexto atual também mostra que empregados que dispensam longos períodos de adaptação e treinamento são, como não poderia deixar de ser, os mais calejados.

“Falta oferta de profissionais qualificados no mercado. As empresas de diversos setores, para não perderem tempo e dinheiro com demorados processos de qualificação, optam por estes profissionais, que já estão prontos”, frisa o professor de economia Kleber Luiz Nardoto Milanese, das Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Ainda de acordo com o levantamento do IBGE, pessoas com mais de 50 anos representam 4,7 milhões da população ocupada. Se, por um lado, os empregos entre essa parcela de trabalhadores cresceu vertiginosamente na última década; por outro, a quantidade total de brasileiros empregados subiu apenas 22%, índices que comprovam a disparidade no número de contratações entre as diferentes gerações.

“Pessoas com mais de 50 anos enfrentam cenário bem mais favorável do que nas décadas de 80 e 2000”, compara o economista Anselmo Luís dos Santos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo ele, em declaração ao portal Brasil Econômico, muitos profissionais mais experientes aproveitam os bons ventos e fazem o fluxo inverso ao migrarem do negócio próprio de volta para a o papel de empregado.

É o caso do garçom Marcondes Natali Cezaretto. Na porta dos 50 anos, ele trocou as vendas de porta em porta por um posto fixo de trabalho, numa lanchonete da rua Antônio Alves. “Trabalhava viajando, com a venda de secos e molhados. Há três anos trabalho como garçom. Não tenho problemas em encontrar trabalho”, comenta Marcondes, de 49 anos.

Para Salete Rossini Lara, professora de economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), a contratação de profissionais mais experientes é impulsionada por diversos fatores. Além de estarem prontos para enfrentar qualquer situação, em virtude da bagagem adquirida ao longo dos anos, os mais experientes apresentam maior índice de comprometimento.

“Não que os mais novos não levem o trabalho a sério”, ressalva a economista. “Porém, os mais velhos demonstram maior disposição para funções que, muitas vezes, não atraem a moçada”, enfatiza Salete.

Contudo, não são apenas nos trabalhos desprezados pelos mais jovens que os experientes se dão bem. Cargos executivos, enfatizam os especialistas, em grande maioria são preenchidos por pessoas acima dos 50, devido ao alto grau de qualificação que exigem. “Em qualquer empresa, a maioria dos altos cargos exige um grande traquejo de mercado, tanto é que a maioria dos executivos é de meia-idade”, observa.