08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

TRANSPARÊNCIA EXIGIDA


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É bom esclarecer que o verbo aposto aqui é no sentido de direito legítimo do eleitor para dar o seu voto ao candidato escolhido, exigir dele a transparência necessária para o exercício do mandato. Não adianta ficar ouvindo suas perorações antes, para depois de eleito usufruir as benesses a que os parlamentares têm direito, sendo quase que induzidos a participarem de situações constrangedoras tal qual aquela famosa “farra” de viagens ocorridas na atual legislatura federal, e quando denunciados como partícipe do malfeito ofereceram declarações que beiraram o ridículo, tal como: “Arranhei minha imagem espontaneamente”, afirmou naquela ocasião Fernando Gabeira quando pego na tal “farra”, logo ele, que foi líder de muitos movimentos pela ética na política.

Ainda no episódio acima, Gabeira teve de ouvir calado o deputado Ciro Gomes afirmar: “Se dizem do grupo dos éticos, mas dão passagens aos seus parentes”. {E tem candidato aqui na província que na última eleição para o cargo de prefeito afirmara na imprensa que Gabeira era sua referência como homem público}. Outro exemplo são os bagrinhos que desfrutam das águas dos rios Jaú e Tietê, que, já na primeira viagem ao “paraíso” brasiliano para o exercício parlamentar, embarcaram tal como “isca” para os tubarões que manipulam o Congresso Nacional, no festival de passagens, inclusive para sobrinhas, sogras e namoradas.

Seria importante os eleitores terem em conta que o parlamentar eleito irá levar mais de ano para assimilar e se adequar às portas que se lhe abriram para o exercício do mandato. De nada adianta saber se irão defender os interesses dos municípios e do povo que os elegeu, condição implícita na sua obrigatoriedade parlamentar. O que queremos saber - já que o voto é nosso e quem manda nele somos nós- é sobre a transparência de sua vida como homem público se eleito for. Suas intimidades pessoais, podem ficar tranqüilos, estarão garantidas pela legislação brasileira.

A vida pública de cada um, o “sacerdócio” que estão a fim de abraçar, essa sim deve ser obrigatoriamente aberta ao eleitor e para fazer jus a entrada no “paraíso” devem declarar ao TSE, para conhecimento público, detalhes que a lei eleitoral impõe no momento do registro da sua candidatura. Assim, o eleitor pode constatar a naturalidade ao patrimônio, passando pela profissão etc..

A transparência a partir desses dados, na declaração de alguns candidatos, já começa a ser trincada. Tem candidato que declarou não possuir nenhum bem. Eu gostaria de saber do que vive esse candidato nos dias de hoje. Nos últimos 20 anos participou de todas eleições ocorridas, não logrou vencer nenhuma e, pelo visto, não conseguiu nenhum bem? Como é que um eleitor de bom senso poderia dar um “cheque em branco” para um candidato assim? E não é só esse!

Outros, entretanto, “esbanjam” sinceridade... Não tanto quanto a “riqueza envergonhada” do vice de Marina, empresário Guilherme Leal, dono da Natura e um dos homens mais ricos do mundo, com patrimônio próximo a 2 bilhões de dólares, que parece incomodar o partido da candidata que diz ter só cinco pares de sapatos. Na província temos candidatos para todos os gostos: campineiro, avaiense [2], birigüiense, paulistano [2], macatubense, bekarzalaense, barraturvense, piratiningano e bauruense [8].

Muito embora exista candidato que esteja se arvorando como “ético”, nós, eleitores, deveremos sim cobrar conduta ética dos candidatos, só depois deles comprovarem a transparência inicial, o que alguns deixam de fazê-lo. Aliás, ética que tem como base a verdade teria que ser requisito principal para um candidato a qualquer cargo. Mas, não é o que vemos, portanto, se cobrarmos ética dos candidatos poderá ser difícil completar a cédula de votação. O debate é necessário e oportuno, mas a disputa exige a preliminar da ética e da transparência.

Nicanor Amaro da Silva Neto