Hoje, manhã do dia 3/8/2010, vi uma cena totalmente desconcertante do alto do meu apartamento. Uma cadelinha no cio tentava, desesperadamente, fugir de um cachorro que pretendia com ela cruzar.
Os dois animais possuem o mesmo dono, que, todas as manhãs, os solta, juntamente com mais três, para passar o dia na rua, sem qualquer supervisão ou cuidado.
Com certeza, nem se deram conta, ou se deram não se importaram, de ver sua cadelinha no cio, lutando pelo seu direito de estar em paz.
Esta cadelinha, bem menor em tamanho e força que o cachorro que a tentava dominar, latia desesperadamente para este, tentando afastá-lo, mordia-o, corria, lógico, sem sucesso, pois o instinto é algo quase impossível de se controlar.
Agora, provavelmente, esta cadelinha está gerando sabe-se lá quantos cachorrinhos em seu útero, dos quais, seus donos, com certeza, não irão cuidar, criando-se mais uma vez, um ônus para a sociedade.
Eu, do alto do meu apartamento, me sentindo impotente, pensava: já passou da hora de as pessoas avaliarem suas condições financeiras e psicológicas antes de pegar um animal para criar; já passou da hora desta cidade investir em políticas públicas para castração gratuita de animais.
Eu sei que o pensamento da população é o de que temos coisas mais importantes para se preocupar, como tirar nossas crianças das ruas, combater a violência em nossa cidade, as drogas... e eu concordo. Concordo plenamente!
Mas esse descaso com os animais em nossa cidade serve apenas como combustível para fomentar a violência dos seres humanos, que cada vez mais estão mais insensíveis, desencadeando em episódios como o da cadelinha Vida, noticiado por este jornal, e em episódios mais graves contra o próprio ser humano, como estes dos quais temos notícia diariamente nos nossos meios de comunicação, os quais nem me darei ao trabalho de citar, por seu número assustador (33 somente neste ano).
Mayra Fernandes da Silva - advogada