Brotas – A Câmara de Brotas (100 quilômetros de Bauru) aprovou segunda-feira por quatro votos a dois a instauração de Comissão Processante (CP) para apurar supostas infrações político-administrativas cometidas pelo prefeito Antônio Benedito Salla (PDT). Relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada no mês de janeiro apontou a existência de irregularidades, resultando na abertura de CP, que pode até culminar na cassação de seu mandato.
A denúncia das supostas irregularidades foi feita pela servidora pública municipal Márcia Antonia Aparecida Bertação da Silva, que acusa Salla de gastos irregulares com aquisição de peças e prestação de serviços mecânicos a veículos oficiais, ligação elétrica irregular de prédio público em loteamento particular e ingerência do secretário de Esportes, Recreação e Cultura, Antônio Salla, filho do prefeito, em outras repartições da Administração.
O relatório final da CEI contendo as irregularidades apuradas durante os 90 dias de trabalho da comissão foi remetido ao Tribunal de Justiça, Procuradoria Geral de Justiça, promotor de Justiça de Brotas, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Delegacia Seccional de Polícia de Rio Claro e Fórum local para as devidas providências.
Segundo o presidente do Legislativo, Modesto Salviatto Filho (PTB), ontem, os membros da comissão, definidos por sorteio, se reuniram para o início dos trabalhos. O primeiro vereador sorteado para integrar a CP foi Antônio Carlos Raxkid Simioni (PTB), que declinou do convite. Dessa forma, Lucrécia Fernanda Ragassi (PMDB) foi eleita presidente, Mauri Aparecido Sgorlon (DEM), relator, e João de Jesus (PSDB), membro do grupo.
“A partir de agora, eles têm até cinco dias para entregar a acusação ao prefeito e o prefeito tem dez dias para apresentar sua defesa e arrolar testemunhas. Aí, a comissão tem até 90 dias para concluir os trabalhos”, diz. “Ou eles vão fazer um relatório opinando pelo arquivamento, por não ter provas, ou vão fazer um relatório opinando para que seja votada a cassação do prefeito”.
O presidente da Câmara não acredita que o fato dos três integrantes da comissão não fazerem parte da base aliada do Executivo possa influenciar no resultado final dos trabalhos. “Não temos uma posição marcante aqui, temos o trabalho de um grupo de vereadores que, até agora, não criou nenhum problema para o prefeito. Como houve a denúncia tivemos que apurar”, afirma.
O prefeito de Brotas foi procurado ontem pelo JC para se manifestar a respeito da instauração da CP mas, até o fechamento desta edição, não havia dado retorno.