09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

132 anos bem vividos


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Muita gente adora esconder a idade e gostaria de ser mais novo, eu não, adoraria estar com 132 anos e bem lúcido para recordar fatos de minha bauruenses. Adoraria me lembrar da passagem das ruas de terra de Bauru para os paralelepídedos e depois asfalto, das charretes transportando pessoas, das jardineiras e por fim os ônibus circulares (saudades da ECCB), da instalação dos primeiros postos de gasolina, das carroças entregando leite e vendendo pão e linguiça, da chegada da estrada de ferro e da inauguração da nossa querida estação ferroviária, da boemia da Rua Costa Ribeiro e da Baixada do Silvino.

Adoraria estar presente nas primeiras viagens intermunicipais de trem e dos ônibus “novinhos” do Expresso de Prata, da antiga estação na praça Machado de Mello, da padaria Good Bread, do Bar Cristal, da Padaria da Lalai,  Cantina Caniati, do Claudio Amantini iniciando sua  trajetória profissional como garçom, dos primeiros dias da Catedral, dos “jacarés” de pedra da Praça Rui Barbosa, da Banda da Força Pública tocando no coreto aos domingos e dos footings pela Rua Batista com um pit stop parando para uma Brahma bem gelada e comer um Paulista no Bar do Carlão.

Seria muito legal ver o bom “velhinho” Bevilacqua arquitetando vôos pelo Aeroclube e admirando estrelas, bailes no Automóvel Clube e no Paulista, ver o Noroeste campeão do interior com Xandu, ver o Pelé “brincando” de jogar futebol com Aniel, Humberto, Esquerdinha e muitos outros peladeiros, ver a Jaci Guedes e Suzete ganhando a primeira bola de basquete, ler as notícias no Diário de Bauru, no JC no seu lançamento, ouvir a PRG8 e ver televisão preto e branco na TV Bauru Canal 2 e assistir a um filme “clássico” no Cine São Paulo. 

Sim, eu adoraria estar com 18 anos há 114 anos atrás, na plenitude da forma física e ter ajudado a construir essa cidade, comemorar o primeiro ano de nossa emancipação política, ter convivido com Azarias Leite, Nuno de Assis, Irineu Bastos, Nicolinha, Otavio Pinheiro Brisola e ter nadado na Piscina Recreio da família Arena. Nasci em outra cidade, vim para cá com apenas 6 anos com meu pai inaugurando o Corpo de Bombeiros, mas podem ter certeza de uma coisa: podem existir bauruenses que amem essa cidade com  a mesma intensidade que eu amo, mais do que eu, duvido. Parabéns Bauru e bauruenses.

Roberto “General” Macedo