Candidatos bauruenses a deputado pelo PV, PT, PSTB e PSOL avaliaram que o primeiro debate entre os candidatos a presidência – transmitido pela TV Bandeirantes na noite de anteontem - foi morno. Na avaliação dos candidatos, os postulantes ao Palácio do Planalto poderiam ter abordado mais profundamente questões relacionadas a plano de governo. E, como não poderia deixar de ser, cada um defendeu seu representante.
Para Estela Almagro, candidata do PT à Assembleia Legislativa, Dilma Rousseff, nome do partido para a presidência, superou a falta de experiência em debates com rapidez e avaliou que José Serra (PSDB) se mostrou mais nervoso que a petista. “A única que teria direito a ter um grau de tensão que o Serra particularmente apresentou foi a Dilma, que estava estreando. Ele me pareceu muito apreensivo e nervoso em alguns momentos”, avalia.
Ela avalia que Dilma conseguiu impor sua estratégia. “Na primeira parte do debate ela não tinha se soltado. Já na segunda rodada demonstrou que conseguiu cumprir a contento uma lógica que foi estabelecida e que o PSDB vem fugindo desde o princípio, que é a comparação entre os dois governos”, defende.
Já Clodoaldo Gazzetta, candidato do PV a deputado estadual, avalia que todos os presidenciáveis se mostravam um pouco nervosos durante o debate. Para ele, temas importantes como saúde e educação não foram abordados de maneira profunda. “Mas o tom foi interessante pelo ponto de vista ético. Não houve ofensas pessoais”, avalia. Sobre sua candidata, Marina Silva, ele avalia que, apesar de suas propostas serem diferenciadas, a ex-ministra do Meio Ambiente foi pouco acionada.
“As poucas vezes que ela pode colocar suas opiniões foi interessante e pontuou os programas que o PV pretende lançar para a sociedade, principalmente na saúde e educação”, diz. “A Marina vai muito bem, tem um discurso próprio, sabe ser clara em suas explanações, coisa que não vi na candidata do PT, que mostrou fragilidade em temas que ela não domina”, avaliou Gazzetta. “Já o Serra tem domínio de vários assuntos, mas de forma superficial”, pontua.
Saulo Carvalho, que busca uma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília (DF) pelo PSOL, destacou que quem tirou o debate da mesmice foi seu candidato a Presidência, Plínio de Arruda Sampaio. “O desempenho do Plínio foi fantástico. Notoriamente diferenciado dos outros candidatos, mostrou a diferença do nosso programa e os outros três só mostraram convergência”, avalia.
Ele também considerou o debate morno. “As outras três candidaturas não esboçaram reação, comentário sobre seus programas, ficaram comentando o que os governos passados fizeram e sobre paliativos que não resolvem os problemas da população”. “O Plínio deu tempero ao debate e ele não estava nem listado. Tivemos que ganhar sua participação nos tribunais”, ressalta.
Para Pedro Tobias (PSDB), a superioridade de José Serra no debate foi visível. “Serra sabia do que estava falando. Demonstrava segurança e tem conhecimento”, destaca. Porém, o candidato a reeleição à Assembleia Legislativa do Estado, reconheceu o desempenho de um “adversário” do ex-governador. “Gostei das colocações da Marina Silva. Não esperava e achava que ela não estaria preparada. Mas ela foi muito boa”, afirma.
O médico também defendeu o sistema de debates. “Para mim, não existiria mais a propaganda gratuita. Os únicos que gostam disso são os marqueteiros. Por isso, gosto de debates. Sem maquiagens, ensaios. Um debate focando cada tema, como saúde, educação”, sugere. Tobias também criticou a baixa audiência durante o encontro. De acordo com a prévia do Ibope, o índice ficou em 6%. “Onde chegou esse País? A população reclama de quem foi eleito, mas ela não participa”, critica.