08 de julho de 2026
Internacional

Chávez diz que Lula ajudará com crise


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Caracas - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, declarou ontem estar “otimista” de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa ajudar a resolver a crise diplomática com a Colômbia, e disse que seu ministro de Relações Exteriores vai participar da posse do novo presidente colombiano.

A declaração foi feita após ele se reunir em Caracas com o líder brasileiro, que viajou “com uma missão” para Bogotá. Lula participou, na noite de ontem, de um jantar em homenagem ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e hoje da posse de seu sucessor, Juan Manuel Santos.

Chávez rompeu relações diplomáticas com Bogotá no dia 22, depois que o país vizinho levou à OEA (Organização dos Estados Americanos) denúncias de que Chávez abriga guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) em território venezuelano.

O venezuelano se reuniu durante duas horas com Lula e o secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, com quem conversou sobre a ruptura de relações diplomáticas com a Colômbia.

“Estamos muito otimistas, isso é o que há para adiantar”, declarou rapidamente Chávez, antes de assinar uma série de acordos bilaterais com o Brasil. Lula “leva (a Bogotá) uma missão sobre a qual falamos bastante”, comentou Chávez, sem dar mais detalhes sobre a reunião.

Lula espera que a chegada de Santos ao poder dê um novo momento para a negociação da crise entre os dois países vizinhos. Santos, apesar de ser colega de partido de Alvaro Uribe, defende uma maior aproximação com a Venezuela e deve ajudar a colocar panos quentes na disputa dobre a presença de guerrilheiros a Colômbia.

Possível trégua

O governo venezuelano deu um sinal de trégua ontem, ao anunciar que envia o chanceler Nicolás Maduro para a cerimônia de posse na qual Álvaro Uribe entregará o comando da Colômbia para Juan Manuel Santos.

Maduro viajará “na primeira hora” do sábado a Bogotá, anunciou Chávez.

Chávez já tinha congelado as relações diplomáticas com a Colômbia em julho de 2009,após Bogotá firmar um acordo de cooperação militar com Washington. Ele disse esperar que as relações bilaterais melhorem quando Santos assumir o poder do país vizinho.

Após a reunião com Lula e Chávez, o secretário-geral da Unasul declarou estar confiante em que Colômbia e Venezuela “retomem a convivência”, mas disse que é preciso tempo para isso. “Tenhamos a vontade e a tranquilidade de tomarmos o tempo necessário para que essas coisas comecem a desaparecer da vida latino-americana e possamos retomar a convivência de dois grandes povos, como são a Colômbia e a Venezuela.”

Kirchner se reuniu com o presidente eleito da Colômbia na semana passada, em Buenos Aires, durante um giro de Santos pela região.

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Segurança é intensificada em Bogotá

Bogotá - As Forças Armadas da Colômbia aumentaram as medidas de segurança para evitar ataques guerrilheiros e proteger o presidente eleito Juan Manuel Santos e os chefes de Estado que participarão no sábado da cerimônia de posse, informou ontem um funcionário.

As medidas de segurança, com assessoria do serviço secreto dos Estados Unidos, incluem patrulhamentos aéreos, postos de controle nas vias de acesso à capital colombiana de mais de 6 milhões de habitantes e restrições ao porte de armas.

“O narcoterrorismo está tão debilitado que esperamos que essa fraqueza o impeça de fazer qualquer tipo de ação”, disse.

Cerca de 20 chefes de Estado participarão da cerimônia de posse, de acordo com a chancelaria da Colômbia.