09 de julho de 2026
Bairros

Contra déficit de atenção, videogame

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Muitos pais ficam bravos quando os filhos literalmente não saem da frente do videogame. Chamá-los, então, parece ser uma tarefa inútil. Mas a Sorri Bauru, entidade especializada em reabilitação, faz o uso do aparelho eletrônico para tratar distúrbios de atenção de 45 crianças causados por uma deficiência no processamento auditivo.

De acordo com informações colhidas junto do site do Ministério da Saúde, o processamento auditivo central é o conjunto de mecanismos e ações que ocorrem dentro do ouvido em resposta a um estímulo acústico. Essa sequência de ações é responsável pela localização e lateralização do som, discriminação e reconhecimento de padrões auditivos, aspectos temporais da audição, entre outros.

Entretanto, quem sofre da deficiência não apresenta apenas problemas auditivos como a dificuldade de compreender a fala quando se está em grupo. Os distúrbios de atenção são os mais agravantes. Ansiedade, estresse, problemas de memória, comportamento impulsivo, também são características da disfunção desse processo.

A televisão de plasma e o game com tecnologia avançada que utiliza controles sem fio, foram doados à Sorri em junho deste ano por dois empresários da região e hoje, de acordo com a fonoaudióloga Ana Cecília de Campos Galícia, com a ajuda do eletrônico, as crianças apresentam resultados palpáveis. “Depois que as crianças começaram a jogar esse jogo, apresentaram resultados muito bons. Melhoraram a atenção, memória visual, e atenção visiomotora”.

A deficiência nesse processamento auditivo central causa um distúrbio de atenção de moderado a severo e, em consequência, a criança tem dificuldades principalmente em aprender o que o professor ensina em sala de aula, como é o caso da paciente Emili Fernanda Bonfim, de 7 anos.

“Nós descobrimos o problema da Emili porque ela tinha muita dificuldade de manter a atenção em sala de aula. Como a professora achava que ela não aprendia, mandava muito reforço para ela na tarefa de casa. Depois do tratamento que ela faz há quase 1 ano aqui na Sorri, ela está ótima. A atenção dela melhorou muito”, afirmou Jacira Aparecida Bianconcini Bonfim, mãe de Emili.

Tratamento

O tratamento inclui profissionais de fonoaudiologia e de pedagogia, que auxiliam no processo de reaprendizagem de leitura e ortografia. “Por exemplo: o Edson, quando veio para a Sorri, tinha muitos problemas de escrita, escrevia as palavras todas juntas. Hoje ele já não tem mais esse problema e sua atenção também está bem melhor”, explicou a fonoaudióloga.

Além do trabalho executado pelos profissionais da Sorri, outras orientações também são pedidas aos professores escolares para auxiliar no tratamento. “Nós pedimos para que o professor da escola coloque essa criança mais próximo da lousa para focar a sua atenção ali e também próximo a ele, evitando que ela desvie a atenção”, frisou Ana Cecília.

Para jogar o jogo, não basta somente ligar o videogame, posicionar os controles e jogar de qualquer forma. Os pacientes precisam manter a postura e realizar os movimentos com um determinado desempenho. Tudo sempre orientado pela fonoaudióloga Ana Cecília. “No videogame o paciente deve sempre manter a atenção no jogo e nos movimentos direcionados”, explicou.

O primeiro jogo escolhido para Emili e Edson foi o boxe, que exige extrema atenção e boa coordenação motora. “Nós vemos os resultados pelas pontuações que eles obtêm. Elas vão aumentando com o passar dos dias e isso é muito significativo”, afirmou Ana Cecília.

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Vagas

Mas como conseguir uma vaga no projeto da Sorri? De acordo com Ana Cecília de Campos Galícia, fonoaudióloga da Sorri, é preciso ser encaminhado por algum órgão de saúde, como unidades básicas, ou pela Secretaria Municipal de Saúde.

A paciente Emili Fernanda Bonfim, 7 anos, chegou à Sorri através de um encaminhamento do Hospital Estadual de Bauru. “Quando descobrimos que ela tinha o problema, ela foi encaminhada para a Sorri pelo Hospital Estadual. Ela conseguiu uma vaga rapidamente e, graças a sua melhora rápida, ela já está quase recebendo alta”, relatou Jacira Aparecida Bianconcini Bonfim, mãe de Emili.

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Agitação é característica de distúrbio

Uma das características mais marcantes do distúrbio de atenção no paciente Edson Patrick Lopes Ribeiro, 10 anos, é a agitação. “Ele ficava muito agitado o tempo todo e não se contentava em ficar alguns minutos parados. Mas ele já melhorou muito”, salientou Gisele Alves Pereira dos Santos, cunhada do garoto e responsável por acompanhá-lo no tratamento.

Os 45 alunos da Sorri são atendidos duas vezes por semana e se dividem em duas turmas, a matutina e a vespertina. A expectativa de abrangência do Projeto Sorri Game é de atender de 60 a 65 crianças. “Para estimulá-los cada vez mais, nós vamos trocar o jogo ao longo do tempo, quando as melhoras vão aparecendo. Já estamos até pensando em fazer um campeonato entre eles”, afirmou a fonoaudióloga Ana Cecília Galícia.