Pequim - A mídia estatal da China elevou ontem para 337 o número de mortos nos deslizamentos de terra que soterraram parte da Província de Gansu, na China.
O chefe da Prefeitura Autônoma Tibetana de Gannan, na Província, disse que mais de 1.100 pessoas continuam desaparecidas e o número de mortos pode subir.
Os deslizamentos, provocados por chuvas torrenciais que atingem boa parte do sul da Ásia, agravou a situação da China, que já enfrentava as piores inundações em dez anos.
Em Gansu, o mar de pedras e lamas sepultou uma faixa de 5 km de comprimento e 500 metros de largura e uma altura que, em alguns lugares, chegou ao terceiro andar dos prédios.
A terra destruiu todas as casas de ao menos três aldeias da região montanhosa, habitada principalmente por povos de origem tibetana. O mais afetado foi o Condado de Zhouqu, com mais de 135 mil habitantes.
As equipes conseguiram resgatar com vida uma mulher de 74 anos que ficou trancada no quarto andar por 34 horas, segundo a China News.
]Um homem disse ao “China Daily” que conseguiu escapar e salvar um dos seus filhos agarrando-se a um poste com uma mão, enquanto segurava a criança de três anos com a outra.“A água e a lama não pararam de subir a noite toda, até o pescoço”, disse He Xinchao, que tem nove parentes desaparecidos.
Resgate
O premiê chinês, Wen Jiabao, que chegou no anteontem à região, exortou os milhares de trabalhadores de resgate de todo o país mobilizados para fazer o impossível para encontrar sobreviventes e ajudar os 45 mil desabrigados.
“É fundamental neste momento salvar aqueles sob os escombros e estes esforços continuarão enquanto houver a menor esperança”, disse Wen.
O líder de uma das equipes de resgate, Xu Jiaming, disse que foram identificados vários sinais de vida, como telefones celulares e fracos pedidos de ajuda.
Equipes de resgate estão trabalhando com pás e até mesmo com as mãos, já que equipamentos pesados são impróprios para trabalhar na instável terra.
A televisão estatal disse que 4.500 soldados, policiais, bombeiros e paramédicos foram mobilizados.
A China enfrenta enchentes de uma magnitude sem precedentes em uma década, que deixou 2.100 mortos e forçou a retirada de cerca de 12 milhões de pessoas.