08 de julho de 2026
Turismo

Estância


| Tempo de leitura: 7 min

Quando o assunto é festa de São João, Estância toma a dianteira como o destino mais conhecido de Sergipe. O que a multidão de turistas que segue para lá atrás de fogueira e forró talvez não saiba, no entanto, é que a cidade tem muitas outras atrações. Portanto, vá agora, fora da época de agito, para curti-la com calma.

Nessa categoria se encaixam as praias Abaís, Caueira e do Saco, ótimas opções para o verão. E para as outras estações do ano, graças ao tradicional calor nordestino. Para melhorar o cenário, essas faixas de areia ficam a apenas 68 quilômetros de Aracaju.

A praia do Saco é a mais famosa por causa da vista para a Ilha da Sogra, que fica no ponto de confluência entre os rios Piauí e Real. Segundo a lenda que justifica o nome, um pescador levou a mãe de sua mulher para passear na ilha e, não se sabe se de propósito, acabou voltando sem ela. Já Abaís e Caueira têm extensas faixas de areia branca e mar de água morna.

Sim, existe por lá o indefectível passeio de escuna para visitar as três praias de uma vez só. Para quem gosta, é uma opção prática. Custa R$ 65,00 por pessoa e inclui visita a uma comunidade de pescadores. Outra possibilidade é alugar um carro e ir por conta própria.

Tão famosa em Estância quando o arrasta-pé, a maniçoba é a versão local da feijoada paraense, que leva, no lugar do feijão, mandioca-brava moída. A receita mais famosa da cidade é de Dona Cremilda. A cozinheira prepara a iguaria em casa, com a ajuda da filha, Karla Patrícia. O processo começa um dia antes, para garantir que as folhas de mandioca fiquem cozidas o suficiente para eliminar o seu componente tóxico. “O segredo é cozinhar quantas vezes for necessário”, reforça Dona Cremilda.

Ela distribui as porções em bares e restaurantes – onde a receita é servida com acompanhamentos como arroz, farinha de mandioca e pimenta. Como opção, você pode ir pessoalmente buscar o prato. Qualquer morador sabe indicar o endereço da cozinheira, onde a concha de maniçoba custa R$ 1,50. Vale a pena telefonar antes e fazer a encomenda.

Outra dica gastronômica é o restaurante Lunary, que serve boas opções de carnes e frutos do mar. O lugar também é famoso por seu suco de mangaba, uma fruta nativa. O preço é camarada: o almoço executivo sai por R$ 7,99.

• Serviço

Dona Cremilda. telefone (79) 3522-1035.

Restaurante Lunary. Praça Barão do Rio Branco, 141. Telefone (79) 9985-0800.

TAM Viagens e TAM Linhas Aéreas (code-share com Pantanal). Informações no site www.tam.com.br/voepantanal.com.br.

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A igrejinha, os buggys e os passos na areia

Mangue Seco fica exatamente onde se encontram os rios Piauitininga e Real. As ondas vão e vêm batendo nos coqueiros, que no trecho se curvam à ação das águas. Um paraíso para fotos, para o descanso, para jamais ser esquecido.

Desça do catamarã ou da lancha, se encante com o casario assombreado pelas folhas imensas dos coqueiros e passeie sem pressa por lá. A forma mais rápida e aprazível de se conhecer o pequeno povoado é de buggy, por conta das dunas e areia fofa. Os bugueiros, simpáticos, oferecem a travessia com ou sem emoção.

A igrejinha branca com janelas azuis famosa nas cenas de “Tieta”, fica no meio da vilinha, totalmente preservada, para o turista fotografar e fazer os três pedidos. Hora de relembrar a personagem Perpétua, que rezava com Amorzinho e Cinira, suas fiéis escudeiras.

O guia para e aguarda sem pressa os visitantes darem um giro para depois parar no quiosque em frente para tomar com suco de mangaba ou uma boa água de coco. Pausa para retornarem aos buggys para subir e depois descer as dunas mais altas, de mais de 30 metros.

Os gritos de emoção são inevitáveis sem, no entanto, abalar o condutor, que acostumado vai contanto que era ali que Tieta subia e descia engrossando as bem torneadas pernas, para cuidar das cabras da família. Béeeee....!

Na volta, novamente contato com os coqueiros e a praia de ondas fortes e espumantes. Cenário escolhido por Jorge Amado para contar tantos casos de amor que até hoje vagam em nossa imaginação.

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Tieta e Mangue Seco

O baianos podem falar que o trecho pertence a eles, mas é através de Sergipe que se chega muito mais fácil a Mangue Seco, praia atingida nos passeios de um dia oferecidos em Aracaju.

Mangue Seco é a última praia em território baiano, bem na divisa entre os dois Estados. Lugar que serviu de cenário para Tieta do Agreste, uma das mais conhecidas obras de Jorge Amado (1912-2001), também sucesso na TV, com Betty Faria no papel central.

As agências de viagem consideram esse passeio como um dos campeões de venda por lá pela facilidade de acesso e pelas belezas naturais do percurso.

Tudo começa com uma rápida travessia de balsa pelo rio Vaza-Barris. Depois é seguir 40 quilômetros na rodovia Ayrton Senna, cruzando os municípios litorâneos de Itaporanga da Ajuda, Estância e Porto Cavalo. Na sequência pega-se um barco.

A Escuna Gazzela (telefone 79-9982-8880) oferece, além do trajeto, mesa de frutas, música ao vivo e até uma dose de cachaça mineira. Paulino Siqueira, o proprietário, faz questão de oferecer aos visitantes maravilhas sergipanas que fazem o mais estressado dos paulistas esquecer todos os problemas. Como patinha de caranguejo, maniçoba (olha ela aí de novo!), caldo de sururu e torta com aratu, um crustáceo avermelhado.

A viagem é reconfortante, com imagens lindas. No meio do caminho, quando surge a Ilha da Sogra, citada acima, há uma parada para banho. O incrível é que se pode escolher entre o mergulho em águas doces ou salgados já que, de um lado, a ilha é banhada pelo rio Real, de outro, recebe as águas do Oceano Atlântico.

A parada - revigorante – é sempre feita na ida, pois, conforme o sol vai mudando de posição, a maré sobe e “esconde” a ilha com água.

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Falcões e o cânion navegável

Canindé do São Francisco fica a 212 quilômetros de Aracaju e é o quinto maior cânion navegável do mundo. Localiza-se numa área que foi agreste, com vegetação seca e rala e surgiu por conta da construção da Usina Hidrelétrica do mesmo nome que abastece os Estados do entorno.

A beleza do lago é o maior atrativo da cidade. Águas de verde intenso cercadas por paredões de até 40 metros. O passeio leva o visitante a conhecer a Pedra do Gavião, cujo formato lembra a cabeça de uma ave, e uma imagem de São Francisco de Assis, colocado num altar incrustado em rocha.

Mas a grande euforia ocorre quando se chega à Gruta do Talhado, que tem um píer onde as embarcações atracam e os turistas podem nadar nas águas mornas do “Velho Chico”.

A partir de Canindé ou de Piranhas – cidade do lado de Alagoas –, a próxima visita é à trilha de Lampião e Maria Bonita. Lugar onde o rei do cangaço se refugiou inúmeras vezes, entre 1923 e 1938, até ser caçado e morto pelas tropas da guarda estadual. Na Grota de Angico, lugar exato do ataque, repousa uma placa com o nome dos mortos – e duas cruzes.

Perto de Aracaju, em Areia Branca, a subida até o Parque dos Falcões é obrigatória para quem vai a Sergipe. É ali que José Percílio Mendonça Costa cuida de aves de rapina, algumas capturadas com lesões graves que a levariam, sem cuidados, à morte.

O sítio dele fica aos pés da Serra de Itabaiana e o ingresso é simbólico. A casa é simples, mas ampla e bem ventilada, servindo como centro de visitantes e sala de aula sobre os cuidados com os animais.

Quequé e tantas outras aves podem amedrontar os turistas, mas não Percílio, que já esteve no Japão e até hoje ensina aos da terra do sol nascente como conquistar a confiança de aves de rapina como gaviões de meter medo.

Desde os 4 anos, esse rapaz tímido demonstra imensa afinidade com eles. Nunca suportou ver um pássaro com as asas machucadas ou coisa assim. Fazia de tudo para salvá-los. Hoje, calejado, Percílio consegue fazer até implante de penas e ossos, técnica aprendida com a irmã, médica.

Mais de 300 aves, como corujas, gaviões e falcões, estão por ali, consumindo semanalmente cerca de 60 quilos de carne. Muitas são treinadas para defesa pessoal, voo livre e “pombo correio”. Costa detém a única autorização do Ibama, no Brasil, para criar aves de rapina. (EB)

• Serviço

Parque dos Falcões. Telefone (79) 9131-3496.