08 de julho de 2026
Bairros

Hoje é sexta 13 e do mês do ‘mau agouro’

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Se você é supersticioso, é melhor não sair de casa hoje. Esta sexta-feira é dia 13. E sexta 13 de agosto, conhecido popularmente como o mês no qual fatos ruins acontecem. A união entre as datas aconteceu pela última vez há seis anos, em 2004.

Seja de “mau agouro” ou não, o que se sabe é que a coincidência entre o dia e o mês provavelmente deixará os mais místicos apavorados, entretanto, mesmo essas pessoas dificilmente conhecem a origem dessas datas. De acordo com o professor de antropologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Cláudio Bertolli, a fama negativa do dia de hoje surgiu no século XI.

“Nessa época, exatamente em uma sexta-feira 13, houve um grande massacre dos cavaleiros templários. E o dia passou a carregar essa característica marcante”. A Ordem dos Cavaleiros Templários foi uma importante cavalaria de combate que nasceu com o objetivo de proteger os cristãos após as cruzadas.

O massacre citado ocorreu exatamente em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, quando o rei Filipe IV, da França, acusou os cavaleiros de heresia e iniciou uma série de prisões, torturas e execuções. Apesar da acusação de heresia, a causa mais provável do massacre é a de que Filipe IV almejava os bens dos Templários.

A cultura romana também é apontada pela característica ruim que o dia ganhou. Bertolli explica que “na cultura deles, sempre houve dias fastos e nefastos. Os primeiros eram aqueles fadados a acontecerem fatos bons. Nos outros, aconteceria o contrário. A sexta-feira 13 é tida como um dia desse último caso, ou seja, nefasto”.

A fama de “mês de tragédias” de agosto também se origina na cultura romana. Como uma forma de realizar uma homenagem própria, o mês foi exatamente criado pelo imperador César Augusto. Segundo Bertolli, o processo de difamação que sucedia cada imperador é o responsável pela fama negativa.

“Um imperador era assassinado pelo outro imperador. E esse novo difamava o anterior. Assim, o mês acabou sendo difamado também. Por isso, agosto, mês criado em homenagem a Augusto, é visto como um mês de azar”.

O professor ainda explica que o cristianismo é o responsável por questões tão antigas chegarem aos dias atuais. “O cristianismo importa alguns elementos da cultura romana. E elas vem seguindo pela cultura popular até chegar na cultura contemporânea. Por isso vemos as pessoas com medo hoje em dia”, completa.

Poucas superstições

Exatamente por conhecer a origem dos fatos, Cláudio Bertolli acredita que a questão do “mau agouro” não passe de superstição popular. “Não acredito não. Até gostaria de acreditar que há uma força maior movendo os acontecimentos. Mas, não consigo. Acredito somente no homem e nas suas ações”.

Para maioria, data é dia comum

Nas ruas de Bauru, a maioria das pessoas consultadas pelo Jornal da Cidade também concorda com o professor de antropologia Cláudio Bertolli. A maior parte acredita que a sexta-feira 13 seja dia comum, como qualquer outro.

De acordo com o presidente da Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo, Ricardo Barreira, a sexta-feira 13 e o mês de agosto não são celebrados especialmente e tampouco têm origens diferentes nas religiões afro-brasileiras.

“Não temos nenhuma relação e nem algum ritual diferente na sexta-feira 13. O mesmo vale para o mês de agosto. De acordo com o que acreditamos, não há nenhum fundamento em dizer que a data é de azar ou sorte”.

Porém, segundo as suas crenças, Barreira acredita que fatos ruins podem ser gerados pela fixação das pessoas na data. “Muitos ficam pensando que realmente dá azar. O dia em si não faz isso. O que pode acontecer é que as pessoas juntas imaginam isso e traz uma energia negativa. O pensamento coletivo das pessoas pode criar essa carga negativa”, conclui.