Uma Escola Mista Rural criada pelo governo do Estado de São Paulo na década de 30 possibilitou o entrosamento entre brasileiros e japoneses, moradores da Tapera Queimada. Foram as crianças orientais que primeiro aprenderam o idioma português e conseguiram se comunicar com os brasileiros. Elas tiveram papel importante na comunidade, uma vez que ensinaram o idioma para os adultos e serviam de intérpretes para eles.
Manter a comunicação pela fala foi um dos obstáculos enfrentados pelos imigrantes que sofriam mais ainda quando tinham que escrever. Erros e enganos nas transações comerciais eram comuns nos estabelecimentos comerciais do povoado por conta das dificuldades. Nessas horas, as crianças que frequentavam a escola facilitavam a tradução.
Tum Takara, 72 anos, era um ancião entre os imigrantes moradores na colônia japonesa de Tapera Queimada. Nada tirava o humor dele, mas os conflitos no povoado por conta da falta de entendimento do idioma era uma das situações que ele tentava evitar. Nessas horas ele recorria as crianças para lidar com as diferenças.
Foi em 1931 que os bancos de madeira da escola proporcionaram o ‘intercâmbio’ Brasil/Japão. O estabelecimento de ensino garantiu o ensino do idioma japonês como disciplina extracurricular, em uma grade que priorizava o ensino do idioma português como regular, revela a pesquisa feita por Tânia Morbi.
A confirmação dos orientais nos bancos escolares foi feita através do relatório de matrículas, documento preservado pelo Centro de Documentação Histórico de Lençóis Paulista. Nele, os nomes de crianças brasileiras e japonesas se misturam aos de outras nacionalidades.
O primeiro oriental matriculado na escola foi Asão Kobayaschi, nascido em 1 de agosto de 1923. O garoto morava em Tapera Queimada e era filho de Gunji Kobayaschu, lavrador de algodão. Hoichi Famada, Todache e Xyso Aiache são alguns dos primeiros inscritos na caderneta de controle de frequência.
Os japoneses, segundo os dados colhidos por Morbi, se preocupavam em manter a instrução dos filhos nascidos ou não no Brasil, mas a passagem deles pela escola era rápida. Alguns chegaram a frequentar apenas algumas aulas e deram baixa ou foram desligados a pedido, sinônimo de que a família imigrante havia mudado de colônia.
Os nomes nipônicos foram desaparecendo das listas e avaliações da escola. Só para se ter uma ideia, em 1932, o estabelecimento misto contava com 26 crianças entre nascidas no Japão ou entre famílias de imigrantes no Brasil. Seis anos depois, das 14 crianças que estavam matriculadas, nenhuma tinha traços orientais.
Na opinião de Euclides Pires Duarte, seu Dico, as famílias japonesas se mudaram aos poucos e se estabeleceram em outras regiões do Estado de São Paulo. “Em colônias mais desenvolvidas, em busca da prosperidade não conseguida na Tapera Queimada. Muitos se instalaram na região de Marília e Alta Paulista, onde a cultura oriental é fortemente preservada até hoje. "Ele ressalta que apenas três famílias de imigrantes japoneses saíram do bairro e se transferiram para Borebi, mas ficaram pouco tempo. “Acredito que a má administração da vila levou os orientais embora. A ganância de uns afastaram as famílias de imigrantes."