10 de julho de 2026
Nacional

Mobilização de caminhoneiros para maior corredor de exportação de soja do País


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São Paulo - Transportadoras de soja e caminhoneiros de Mato Grosso paralisaram ontem de manhã o principal corredor de exportação de soja do País. A categoria iniciou a mobilização como protesto pelas péssimas condições dos terminais de Alto Taquari e Alto Araguaia (MT), administrados pela operadora ferroviária América Latina Logística (ALL).

Os terminais recebem por dia pelo menos 300 caminhões. Nos períodos de safra, esse número pode alcançar 1.000 caminhões. Os caminhoneiros reclamam das precárias condições do terminal, como a falta de pavimento nos pátios e o excessivo tempo de permanência para o descarregamento da carga.

A reportagem já percorreu a perigosa BR 163, que interliga o Norte do Mato Grosso (área de grande produção de grãos) até o sul do Estado, onde a ALL recebe a produção e faz o transbordo para as composições que rumam para o Porto de Santos.

O tempo de permanência no terminal para o desembarque supera as 24 horas, podendo alcançar mais de 48 horas de espera em alguns períodos.

A mobilização tem o apoio de sete entidades ligadas ao transporte da carga no Mato Grosso. A Associação dos Transportadores de Cargas do Mato Grosso (ATC) emitiu comunicado para que todas as empresas de transporte recusem frete para Alto Taquari e Alto Araguaia. Segundo Miguel Mendes, diretor-executivo da ATC, a mobilização é por tempo indeterminado.

Segundo a coordenação do movimento, os principais embarcadores da soja (como Bunge, Amaggi e ADM) suspenderam a liberação da soja no Interior do Mato Grosso.

Os motoristas afirmam que só suspendem o movimento mediante um compromisso formal da ALL junto ao Ministério Público do Trabalho a partir do qual a companhia se comprometa a resolver os problemas dos dois terminais.

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Liminar

Mesmo antes da greve, a categoria obteve uma vitória. A Federação dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário conseguiu na Justiça do Trabalho uma liminar que exige da ALL melhoria nas condições ambientais dos dois terminais.

Pelo despacho do juiz do trabalho Juarez Gomes Portela, a ALL também está proibida de barrar motoristas que protestam pelas péssimas condições dos terminais ou pelo tempo excessivo de espera. Segundo relato da ATC, a operadora bloqueia o CPF de caminhoneiros mobilizados impedindo-os de descarregar os caminhões.

A justiça trabalhista também determinou que a ALL amplie a capacidade de recebimento de grãos a fim de reduzir as filas nos terminais. A operadora ferroviária foi procurada para falar sobre as acusações e as providências que estão sendo tomadas, mas ainda não se pronunciou oficialmente.