10 de julho de 2026
Articulistas

A crise imobiliária americana e o risco do mercado brasileiro

Jorge Martins
| Tempo de leitura: 2 min

A política financeira adotada pelo ex-presidente americano George W. Bush no início do seu mandato causou a maior crise econômica dos Estados Unidos nos últimos 70 anos. O instinto consumista dos americanos aqueceu o mercado de 2001 à 2006, toda a verba disponibilizada pelo governo foi utilizada deixando grandes dívidas correntes aos cidadãos e às empresas. Os imóveis, por exemplo, como em toda economia aquecida, aumentaram assustadoramente seus preços devido aos incentivos e grande procura.

No entanto, no decorrer dos meses e com o orçamento todo comprometido, as pessoas passaram a comprar menos, as empresas a vender menos, produzir menos, precisando de menos trabalhadores e tendo que demitir. Começava assim a crise - as dívidas passavam por toda a cadeia até chegar ao consumidor que, desempregado, não conseguia honrar seus dividendos, derrubando de vez o cenário econômico.

As atenções agora se voltam ao mercado brasileiro. O que parece ser um grande programa de incentivo aos cidadãos pode se tornar a maior catástrofe econômica do país neste século XXI. Com proporções bem menores que as americanas, o programa habitacional brasileiro denominado Minha Casa Minha Vida teve seu lançamento no dia 25 de março de 2009, com investimento previsto de R$ 34 bilhões e a intenção de que seja construído aproximadamente um milhão de moradias. O programa é destinado a imóveis de até R$ 130.000,00 e o benefício pode chegar a R$ 23.000,00 caso a renda declarada seja menor que 3 salários mínimos.

Para Celso Amaral, diretor da Geoimovel, dois fatores são fundamentais para alavancar as vendas dos imóveis: o primeiro é o crescimento do poder aquisitivo da população, que chegou a 27% na Grande São Paulo, contando de janeiro de 2005 a maio de 2010; o outro é a maior facilidade de financiamento no momento, com juros mais baixos, prazo de pagamento maior e prestações menores. “O MCMV trouxe novos clientes para esse mercado, são as pessoas da classe C, que estavam desassistidas”, ressalta.

Agora vejamos o grande problema: o processo inflacionário do mercado imobiliário brasileiro também está aquecido, os valores dos imóveis e terrenos foram consideravelmente reajustados de 2009 para 2010 devido à grande procura. Para sair do aluguel e aproveitar a oferta do governo, famílias estão cada vez mais adquirindo seus imóveis e demandando toda a oferta disponível. Porém, esta procura uma hora deve diminuir, e cabe ao mercado visualizar e esfriar-se gra-dativamente. Como no modelo americano, a tendência é de que toda essa classe compradora que se utilizou dos créditos governamentais estanquem seus gastos. Com orçamentos comprometidos estes saem do mercado e a dúvida é de como a economia vai sentir essa falta, seja no mercado imobiliário ou nas indústrias de matérias-primas que sobrevivem dele. Se os Estados Unidos, que são detentores de 25% do PIB mundial, entraram em crise, o que dizer de economias menos potentes dentro de um cenário semelhante? Tragédia Anunciada? Torço para que não.

O autor, Jorge Martins, é economista, com MBA em Finanças/Controladoria pela ITE-Bauru