Tomando como exemplo meu cachorro, chamado David Bowie (por ter um olho de cada cor), sinto permanente a fidelidade que ele me dedica. Toda manhã saímos para fazer uma caminhada e, com isso, consigo manter-me em forma física.
Mas, além da fidelidade, os animais dão muitos exemplos de solidariedade. Como a gata que adotou filhote de esquilo encontrado ferido na floresta e o amamentou com todo carinho possível.
Eles têm pesar também. Cachorra morreu atropelada na rodovia e seu companheiro velou por ela. Aqui vale lembrar o que escreveu Mark Twain: “Se você recolher um cão faminto, de rua, ele não te morderá. Essa é a principal diferença entre um homem e um cão”.
Solidariedade sempre. Uma cachorra teve oito crias: cinco fêmeas e três machos, Seu ninho foi instalado num paiol de uma humilde fazendola em um país da Europa Oriental. Nessa mesma época, uma moça grávida que escondia essa situação de seus pais, apertando-se ali e aqui, sentiu as dores do parto, correu para um capão de mato e teve um menino e ali o abandonou. Depois de muito choro, uma cachorra passava pela região e com seu aguçado ouvido descobriu o rejeitado. Com jeito e perícia levou-o para seu ninho e junto com os seus filhotes, amamentou-o até que os moradores locais descobrissem a criança. A atitude do animal comoveu àqueles que viram o singelo quadro; nove criaturas disputando um canto da palha esparramada no ninho e as mamas amigas do cão.
Outro caso: no Quênia vicejou a amizade de um filhote de hipopótamo, sobrevivente de uma tempestade que não lhe poupou a mãe cuja vida foi ceifada, com uma tartaruga gigante que o adotou. Mais um; em Krasnoyars, Sibéria, um filhote de dois dias, cuja mãe morreu no parto com outros três irmãos, foi adotado por uma cadela sem raça definida, que passou a amamentá-lo.
O Jornal da Cidade noticiou: uma gata teve três gatinhos que acabaram aninhados num balaio em companhia de uma galinha. Esta os adotou e passou a deles cuidar. A gata não estranhou e consentiu a atitude da ave. O cachorro da casa foi conferir se tudo estava bem e aprovou a ação galinácea.
No Brasil (foto no Museu Ferroviário), uma índia amamentou um porquinho e na Índia, uma mulher paupérrima também ofereceu seus seios para um pequeno suíno cuja mãe morreu.
O Jornal da Cidade também noticiou outro fato interessante: um itinerante idoso, caminhante de destino incerto, acolheu uma cachorra que por ele sentiu atraída e dali para frente não mais viveu solitário e abandonado.
Moça saudosista de sua cachorra Meg, falecida com 13 anos, mandou-lhe uma mensagem de carinho, pedindo-lhe perdão por algum desvio com ela cometido e louvando seu amor incondicional.
Apesar dessa contínua solidariedade e amizade no mundo, existem pessoas que, desalmadas, abandonam ou sacrificam animais quando crescem ou ficam doentes. O que confirma o pensamento acima de Mark Twain.
O autor, Irineu Azevedo Bastos, é membro da Academia Bauruense de Letras