11 de julho de 2026
Política

Imóveis novos terão que reaproveitar água

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Uma prática que está se tornando comum em Bauru, a construção de imóveis com sistema de captação e armazenamento de águas pluviais, passará a ser obrigatória com a aprovação de proposta elaborada pelo Executivo e que deu entrada na Câmara Municipal de Bauru na última segunda-feira. Pelo projeto, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) condiciona a emissão de habite-se (autorização para ocupação do imóvel) à instalação desse sistema.

Uma inovação é a possibilidade da captação de águas cinzas-claras (ensaboadas). De acordo com a proposta a medida vale para edificações com cobertura de telhado superior a 300 metros quadrados. A ideia já tinha sido discutida pelo Legislativo, por sugestões dos vereadores Fabiano Mariano (PDT) e Francisco Carlos de Goes (PR).

A proposta do prefeito cria o Programa Municipal de Uso Racional e Reúso de Água em Edificações no Município de Bauru, que tem como objetivo oferecer educação e treinamento visando o aproveitamento de água da chuva e o reuso de águas cinza-claras, que são as resultantes do uso de máquina de lavar roupas e chuveiro, para serem empregadas em atividades que não exijam água potável, como lavagem de pisos e veículos, rega de jardim e descarga em bacia sanitária.

Ainda de acordo com a proposta, será instituída a Comissão de Estudos para Conservação e Uso Racional de Água, que terá a função de sugerir ações de implementação e aperfeiçoamento do programa.

Na proposta apresentada em outubro do ano passado pelo vereador Carlos de Goes, a instalação do sistema seria obrigatória para imóveis com 150 metros quadrados ou mais de área construída. No projeto do Executivo, a imposição passa a valer para edificações com mais de 300 metros quadrados de cobertura. “Se ficássemos em 150 metros quadrados de área construída, seria abrangido um número muito grande de imóveis na cidade. Como foi apresentado agora, deixamos a obrigação para grandes empreendimentos, onde uma caixa de água e uma bomba a mais não seriam proibitivos”, pondera o prefeito.

Rodrigo avalia que, atualmente, a maioria das residências construídas em Bauru, que atendem essa delimitação de cobertura, já é elaborada com sistema de captação e armazenamento de água pluvial. “Virou hábito e já é incorporado por arquitetos na cidade realizarem o projeto com esse benefício. Principalmente voltado para regar jardins, por exemplo”, observa.

Autor de uma das primeiras propostas sobre a implantação do sistema, o vereador do PR, Carlão do Gás, aponta que irá conversar com o prefeito sobre a alteração do tamanho mínimo do imóvel para a instalação da melhoria. “Acaba compreendendo somente grandes construções. Acho que isso deveria ser rediscutido, pois diminui a abrangência da proposta”, observa.