08 de julho de 2026
Internacional

ONU confirma cólera no Paquistão


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Islamabad - A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou ontem que já foram detectados inúmeros casos de cólera e focos de outras epidemias na população afetada pelas inundações no Paquistão, e alertou para a necessidade de reforçar medidas de prevenção. Segundo dados da ONU, até o momento foram detectados ao menos 86.761 casos de diarreia aguda, 83.050 de doenças respiratórias e 113.045 de doenças cutâneas.

“Os casos de diarreia aguda estão sendo tratados como cólera. Não estamos buscando a confirmação, a cólera é endêmica no Paquistão”, disse em entrevista coletiva o diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde) no país, Guido Sabatinelli.

Horas antes, uma fonte das Nações Unidas informou que agentes da entidade haviam detectado a doença em ao menos 20 pacientes, mas indicou que o governo do Paquistão é reticente em confirmar os casos publicamente. “Vinte casos de cólera não são nada, há muitos mais”, ressaltou Sabatinelli, que justificou o silêncio das autoridades paquistanesas alegando que eles “têm sua política” neste âmbito.

O representante da OMS alertou que a situação é “muito perigosa” e que “o problema aumentará quando a água baixar”, por isso que se deve esperar uma alta mortalidade. Sabatinelli se mostrou otimista pelo fato de que as organizações de saúde controlaram por enquanto os focos epidêmicos, embora o coordenador de emergências do Unicef no Paquistão, Oscar Butragueño, reconheceu que já há mortes por epidemias.

As piores inundações dos últimos 80 anos, que começaram no fim de julho e continuam estendendo-se, afetaram 20 milhões de pessoas, deixando mais de 1,6 mil mortos no Paquistão.