08 de julho de 2026
Internacional

Ataque mata 57 e expõe um Iraque frágil


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Bagdá - A cidade de Bagdá foi alvo ontem de um dos atentados mais letais do ano, que deixou ao menos 57 mortos e 123 feridos e expôs as fragilidades das forças de segurança iraquianas no momento em que os militares americanos preparam sua saída do país.

Um homem-bomba se explodiu pela manhã em frente a um quartel no distrito de Bab al Muadham, centro-norte da cidade, onde estimados mil homens faziam fila para se candidatar a empregos nas forças iraquianas.

Apesar de instalações militares serem alvejadas constantemente no país, praticamente não havia segurança no local.

O atentado, atribuído à Al-Qaeda, ocorre a apenas 15 dias de os EUA formalmente terminarem seu papel de combate no Iraque, após sete anos de guerra.

A partir de setembro, Washington quer deixar apenas 50 mil soldados - dos 144 mil de quando o presidente Barack Obama assumiu - em solo iraquiano, para operações como treinamento e assistência. A retirada total está marcada para o ano que vem.

A Casa Branca condenou o ataque, mas disse que o calendário de saída das tropas americanas não mudou. “Nossa missão de combate termina no final do mês, mas ainda teremos tropas lá ajudando (as forças iraquianas) quando necessário’’, disse o porta-voz Bill Burton.

“Obviamente há pessoas que querem prejudicar os avanços que os iraquianos fizeram em direção à democracia, mas (o país) está firme nesse caminho.”

Na noite de anteontem, também em Bagdá, a detonação de um carro-bomba resultou na morte de dez pessoas no bairro xiita de Ur.

Apesar de o Iraque estar mais seguro que anos atrás, houve um avanço na violência nos últimos meses, em reflexo também da incerteza política que ronda o país. Cinco meses após eleições gerais, as facções sunita, xiita e curda ainda não chegaram a um acordo quanto à formação de um governo.

Trabalho cobiçado

Atentados mataram 378 agentes de segurança iraquiano entre janeiro e julho deste ano no Iraque.

Apesar disso, o trabalho nas forças de segurança é cobiçado, por garantir um salário fixo (cerca de US$ 500) em uma economia frágil e em um país com taxa de desemprego de até 30%.

“Preciso desse trabalho para alimentar a minha família. Não tenho opção senão voltar para a fila”, disse Ali Ahmed, 34 anos, que, depois de presenciar a explosão, retornou ao local horas depois, para ainda tentar se candidatar ao posto.