09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Exportações retomam ritmo pré-crise

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 6 min

A atual situação econômica do Brasil denota que o setor de exportação caminha sobre os reflexos, ainda presentes, da crise financeira mundial que atingiu a economia no final de 2008. Consequentemente, Bauru passa a sentir essa tendência mercadológica em seu setor de exportações e o panorama de desenvolvimento surge mais sólido e assemelha-se ao período pré-crise.

De acordo com os dados divulgados pela Secretaria do Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento Industrial brasileiro, os resultados obtidos com a exportação em Bauru, entre os meses de janeiro e julho de 2010, colocam a cidade no 50º lugar em volume de exportações entre as cidades do Estado de São Paulo. Além disso, ao comparar esses valores com o mesmo período de 2009, Bauru apresenta um crescimento de 65,51% no total de exportações e a conquista de 10 posições no ranking estadual.

Entretanto, apesar do bom momento e das projeções que traçam um desenvolvimento mais sólido na cidade, especialistas bauruenses ponderam sobre o real desenvolvimento do setor industrial. Ao cruzar os dados obtidos nos primeiros meses de 2010 com os resultados de anos anteriores, são encontrados fatores que podem “mascarar” o desenvolvimento para deixá-lo mais promissor, a citar a crise financeira mundial e a cotação média anual do dólar.

As tabelas divulgadas pela Secex indicam que as atividades de exportação em Bauru somaram US$ 111.504.302 entre os dias 1 de janeiro e 31 de julho de 2010, valor que superou em 65,51% o total alcançado no mesmo período de 2009, que atingiu US$ 67.371.734. Este crescimento, segundo o diretor regional da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, não representa todo o potencial que aparenta.

Crise

“Não podemos desconsiderar o fato de que o ano de 2009 foi bastante prejudicado pela crise mundial de crédito, o que gerou base fraca de comparação para os resultados atuais do setor industrial bauruense. Se adotarmos como base os valores alcançados no início de 2008, teremos uma comparação mais realista, apesar do desenvolvimento em 2008 ser resultado de uma bolha - um dos causadores da crise”, amenizou Simonelli.

A afirmação do diretor regional da Fiesp encontra respaldo nos resultados expostos pela Secex. Em relação ao dinheiro arrecadado entre os meses de janeiro e julho de 2008, os indicadores da secretaria apontam que as exportações atingiram US$ 118.990.899 no período, quando Bauru encontrava-se na 52ª posição em todo o Estado. Neste contexto, é possível afirmar que a cidade esteja próxima do nível de desenvolvimento alcançado antes da crise financeira mundial, porém, com um panorama econômico mais sólido.

Dólar

Outra questão levantada por Simonelli trata sobre as diferenças cambiais existentes entre o dólar atual e as cotações dos últimos anos. Ele destacou que as exportações são mesuradas com base na moeda norte-americana, o que pode refletir em um maior ou menor fluxo de dinheiro dentro das empresas exportadoras bauruenses, que trabalham com a moeda brasileira.

Ao analisar as cotações do dólar entre 2008 e 2010, o resultado confere com o previsto pelo diretor da Fiesp, com a cotação média anual da moeda apresentando valor mais baixo na parcial de 2010 (R$ 1,78) em relação a 2009 (R$ 1,99) e 2008 (R$ 1,83).

“O resultado que realmente indica desenvolvimento para as indústrias brasileiras é o valor total das exportações de acordo com a moeda do País. Quando os dados não estão convertidos para o real, a impressão de crescimento da economia pode ser ‘mascarada’”, frisou o diretor regional da Fiesp em Bauru.

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‘Bola da vez’

O diretor estadual de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Andrey Valério, ressalta que o Brasil é a “bola da vez” dentro do mercado econômico mundial. Ele concorda que a crise financeira não foi ultrapassada e avalia a integração da economia global como principal fator de risco para os mercados atuais, mas garante que houve uma retomada financeira no País inteiro.

“As exportações estão mudando como um todo e o Brasil apresenta-se como uma forte potência. Atualmente, registramos mais exportações de países emergentes do que de países de economia já consolidada. Com isso, alguns produtos exportados por indústrias de Bauru estão alavancando como consequência, principalmente, da cidade representar um excelente ponto logístico”, definiu.

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Importações

Segundo o diretor de Relações Internacionais do Ciesp, Andrey Valério, as importações representam outro sinal de crescimento na economia bauruense. Segundo ele, as aquisições realizadas por indústrias da cidade dentro do mercado estrangeiro são positivas e trazem desenvolvimento por tratar, em sua maior parte, de insumos para a produção industrial.

“Nossa importação não é ruim. Ao analisar, importamos mais insumos que bens duráveis, o que significa que estamos importando produção. A partir do momento que a importação alavanca a produção, na realidade a produção aumenta e aquece a economia local, resultando inclusive na geração emprego”, diz.

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Empresa projeta crescimento do setor

Depois de analisar e negociar durante três meses, a Standard Logística assumiu as operações da Estação Aduaneira Interior (Eadi) de Bauru. A empresa conquistou a permissão após comprar 100% das ações da antiga permissionária, a Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem). A mudança na administração para a empresa considerada a maior operadora especializada em logística intermodal frigorificada do País traça parâmetros ainda mais otimistas para o desenvolvimento do setor industrial bauruense, que já apresenta crescimento sólido.

De acordo com o gerente geral da Standard em Bauru, Marcelo Ouriques, a equipe de projetos da empresa analisou o investimento e negociou com a Cipagem durante cerca de três meses antes da concretização da compra das ações. Ele afirmou que a Eadi bauruense despertou o interesse por representar um importante ponto logístico e possuir forte setor industrial.

“O setor de projeto está muito ligado à nossa área estratégica e a região de Bauru é muito rica, com bastante indústrias. Além disso, contamos com a facilidade da malha ferroviária, que deve ser aproveitada ainda mais através de nossa parceria com a América Latina Logística (ALL)”, informou ao destacar que a Standard possui sete terminais em parceria com a ALL, o que definiu como “meio caminho andado para colocar o ramal de Bauru para implementar logisticamente a estrutura da empresa”.

Ouriques disse que a Standard pretende impulsionar as importações e exportações em todo o Interior do Estado, uma área, segundo ele, rica em matéria-prima e produtos industrializados. Para atrair novos empresários e ampliar a atuação no mercado estrangeiro daqueles que já possuem experiência na área, o gerente definiu que os serviços serão implementados.

Ele confirmou que os funcionários da Eadi foram mantidos e avaliou que novos trabalhadores podem ser contratados de acordo com a necessidade encontrada pela empresa.