10 de julho de 2026
Nacional

Indícios apontam participação de filha no assassinato de ex-ministro

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Há indícios do envolvimento de Adriana Villela na morte dos pais, o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Guilherme Villela e Maria Carvalho Villela, e da empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, segundo consta na decisão que decretou a prisão temporária de cinco pessoas, entre elas a própria jovem. A prisão aconteceu sob alegação de que eles estariam atrapalhando as investigações.

Esses indícios “assentam-se em provas testemunhais que atestam os conflitos por dinheiro entre ela e os pais, mais precisamente a mãe, que era a administradora das finanças do casal, aí residindo a motivação. Há provas materiais, impressões digitais no apartamento das vítimas, local que pouco frequentava, além de sua extrema mobilização no dia do crime, a fim de criar um álibi”, escreve o juiz de Fábio Esteves.

“Mesmo sendo descartada a possibilidade de esta (Adriana) ser autora do crime, ela é um dos sujeitos que vêm embaraçando as investigações”, continua.

A participação de Adriana nos crimes representa, hoje, a principal linha de investigação da polícia, segundo a reportagem apurou com o comando da organização.

O casal Villela e Silva foi morto com dezenas de facadas em agosto de 2009, no apartamento em que morava o casal. Desde então, a investigação teve uma série de idas e vindas, culminando com o afastamento da primeira delegada do caso, Martha Vargas.

Vargas deixou o comando da investigação após a perícia ter constatado a possibilidade de uma das provas ter sido “plantada’’ para incriminar indevidamente suspeitos.

Junto com Adriana, foram presos José Augusto Alves (agente de polícia), Rosa Maria Jaques (vidente), João Tocchetto de Oliveira (marido de Rosa Maria) e Guiomar Cunha (ex-empregada do casal assassinado). Todos foram detidos sob a mesma alegação: atrapalhar as investigações de forma coordenada a serviço de Adriana, ainda de acordo com a decisão do juiz.

Condenação precipitada

“A única função da prisão é submetê-la à execração pública e precipitada condenação”, afirmou Eduardo Alkmin, dono do escritório que defende Adriana. Ligar sua cliente ao crime é “açodamento da polícia que há um ano não consegue esclarecer (o crime). Lamentavelmente a polícia está absolutamente equivocada”.

Alkim defende ainda que os conflitos de Adriana com os pais estavam num contexto de normalidade. “É uma desumanidade acusar o filho de ter matado o próprio pai sem certeza absoluta. (A polícia) fala que brigava com a mãe. Que filho nunca teve desentendimento com os pais?’’

A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos outros presos.