Maximilien Robespierre foi considerado uma figura dedicada a ensinamentos filosóficos, estudioso que era do Iluminismo e avesso a superstições, bajulações, mentiras e demagogias. Era amante do povo, da igualdade de todos perante a lei e da liberdade.
Eis que, vitoriosa a revolução francesa, nosso amigo Robespierre, investido de poderes de decisão fundamentais em agressiva época de exceção e transição, transmudou-se aos poucos e ridicularizou até mesmo a noção do que fosse o “Ser Supremo”, o Criador! Ele, que tinha posição firme sobre a abolição da pena de morte e na realidade chegou a combatê-la, transformou-se em um carrasco implacável, a ponto de condenar à pena capital até mesmo seu grande amigo e revolucionário: o grande Danton. A Danton, a própria revolução francesa devia a sua salvação, nos instantes em que os exércitos da aristocracia estrangeira tentavam esmagá-la, dentro da própria França.
Aqui no Brasil, a chegada do PT e seus aliados ao poder por seus próprios méritos e a grande aprovação pessoal de Lula (78%) e de seu governo (67%) mexeram, assim como a de Robespierre, com a cabeça de muitos políticos, sindicalistas, marias vão com as outras, ministros, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, de modo que alguns passaram a ter os mesmos sentimentos (ou problemas?) que Robespierre, que, embora líder desde o início da revolta francesa, morreu, também, guilhotinado. Isso sim é que é, literalmente, perder a cabeça!
Após essas considerações - respeitadas as proporções e os acontecimentos - ouso transcrever aqui uma manchete de primeira página do nosso Jornal da Cidade: “Câmara barra, por 14 a 1, projeto que poderia fechar comércio aos domingos” (sic JC, Pág.1, 17/8).
Pergunto: na votação, em plenário, da nossa Câmara Municipal de um projeto de lei do Legislativo, considerando-se o “placar” acima, de quem seria o único voto a favor da proibição do funcionamento do comércio aos domingos em Bauru, considerando-se que há no TST várias jurisprudências formadas e firmadas a respeito, que legalizaram desde muito tempo essa prática, hoje corriqueira e rotineira?
“O tempora! O mores!”
João Guilherme Ortolan