10 de julho de 2026
Internacional

Justiça censura jornais na Venezuela


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Caracas - Um tribunal de Caracas proibiu todos os jornais da Venezuela de publicar, por um mês, imagens “violentas, sangrentas e grotescas para proteger crianças e adolescentes”. Jornais locais e associações internacionais de imprensa classificaram a sentença de censura prévia.

A decisão foi tomada anteontem à noite em resposta a um processo aberto a pedido do Ministério Público e da Defensoria do Povo, equivalente a Ouvidoria Pública, para investigar a publicação de uma foto do necrotério de Caracas na edição de sexta-feira do jornal “El Nacional”.

A fotografia, que o jornal de oposição ao governo Hugo Chávez diz ser de dezembro de 2009, mostra cadáveres em macas e no chão, sugerindo o colapso operacional do necrotério de Bello Monte, o único da cidade. Na segunda, o também oposicionista “Tal Cual’’ reproduziu a foto do necrotério. Além da proibição geral, o “El Nacional’’ também não poderá publicar “informações’’ de conteúdo grotesco e violento até que haja decisão final sobre a ação contra o jornal.

Por isso, o “El Nacional”, o mais tradicional da Venezuela, trouxe a capa com espaços para fotos com a tarja “censurado”. Duas páginas internas dedicadas a crimes e notas policiais também apareceram com a tarja.

A Sociedade Inter-Americana de Imprensa (SIP) lançou nota classificando a medida de “torpe política de Estado a favor da censura prévia’’ , “mais um elemento’’ para tentar controlar informação às vésperas das eleições legislativas de 26 de setembro.

Já a ONG Repórteres Sem Fronteiras afirmou que a decisão peca “pela amplitude e imprecisão’’. Ressalvou, porém, que a publicação da foto “violenta’’ levanta questões sobre a responsabilidade dos meios de comunicação quanto a esse tipo de conteúdo.

À reportagem, o presidente e diretor do “El Nacional’’, Miguel Enrique Otero, disse que se trata de uma censura política e defendeu a publicação da foto.

A medida da Justiça provocou críticas até do jornal “Últimas Notícias’’, o mais vendido do país e próximo do chavismo. “Toda a sentença é absurda e, pela primeira vez, desde 1999, o Estado venezuelano dá motivos a que digam que restringe a liberdade de informar’’, escreveu o diretor do jornal, Eleazar Díaz Rangel.

Em reunião ministerial transmitida pela TV, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a publicação da foto é um ato de “desespero da oligarquia’’ e “pornografia” jornalística do “El Nacional”, ante a perspectiva da oposição ser derrotada nas eleições para a Assembleia Nacional.

A insegurança é a preocupação número 1 dos venezuelanos de acordo com todas as pesquisas de opinião. Não há cifras oficiais sobre homicídios desde 2006, mas números extraoficiais falam que Caracas registrou em 2009 a marca de 140 assassinatos por cem mil habitantes.

A publicação da foto de fato acendeu o debate sobre a questão na Venezuela. Nesta semana, Chávez foi à TV defender as políticas de segurança do governo todos os dias.

Em todas as vezes, disse que “assume’’ a responsabilidade pelo problema, mas também cobrou ações de governadores da oposição. O venezuelano disse ainda que os delinquentes de hoje foram as crianças de rua dos governos anteriores.