09 de julho de 2026
Articulistas

As três regras

Antonio Brás Constante
| Tempo de leitura: 3 min

Nossa razão de existir é pautada por coisas concretas, mas escrita pela intangibilidade dos sonhos. Outro dia, meu filho mais velho (no auge de seus 10 anos), resolveu que queria ser jogador de futebol. Até aí nenhuma novidade, já que de cada dez meninos, 12 querem ser jogadores de futebol em nosso País. Pena que para esses 12 pequenos indivíduos terem sucesso em uma carreira tão disputada eles terão que se destacar perante outros 12 milhões de meninos para alcançarem o êxito no mundo da bola, e em formato de bola, que não parece dar muita bola para tantas outras coisas importantes. Quando se quer fortalecer um sonho, deve-se utilizar a motivação para que ele brilhe, gere luz própria e passe a servir de foco para o futuro. Pensando nisso, resolvi dar alguns conselhos para meu rebento, algo que pudesse inspirá-lo e lhe servir de base para fazê-lo seguir em frente. Fechei os olhos buscando alguma sabedoria “zen transcendental” que pudesse utilizar nesse intento, mas o máximo de pretensos pensamentos orientais que vieram a minha mente foram as lembranças dos comerciais de massas tipo miojo. Somente após comer o tal miojo mentalmente é que pude, finalmente, desobstruir meu cérebro direcionando ele para os aprendizados de minha eterna e sabia professora, a Vida (ela é a orientadora universal de todos os seres vivos). Dona vida começa a nos ensinar já a partir do primeiro sopro de nossa existência, e suas aulas seguem até o nosso último e derradeiro suspiro. Com ela aprendi três importantes regras. A primeira é que devemos ter prazer naquilo que fazemos. Quando acordamos pela manhã, por mais frio e chuvoso que esteja, podemos levantar da cama nos sentindo mal-humorados, chateados, sem vontade de cantar uma bela canção e achando que o dia vai ser péssimo, ou abraçar este mesmo dia como quem abraça um amigo. Sairmos dispostos a melhorar o astral geral. Isso ganha força quando desejamos algo. Por exemplo, se me perguntassem se valeu a pena me expor ao ridículo fazendo um certo filme no Youtube, onde contracenei com meu sobrinho e jogamos farinha, ovos, erva-mate etc. um no outro, eu responderia que sim. Quando tentamos algo, mesmo que não saia como esperamos, damos mais um empurrão em nossos sonhos.

A segunda regra é sempre buscar aprender algo nas coisas que fazemos. Se você entra em um jogo onde é o mais fraco, não desanime, aprenda com os mais fortes, e se você for um dos mais fortes, também não desanime achando a partida uma perda de tempo, ensine e motive os mais fracos. A terceira e última regra é a de procurarmos sempre trabalhar em prol da equipe onde estamos inseridos, somando esforços ao grupo. Seja este um grupo de amigos, um time esportivo, uma empresa, ou nossa própria família. Poder colocar a cabeça tranqüilamente no travesseiro ao final do dia tendo a certeza que fizemos o nosso melhor para aqueles que nos rodeiam não tem preço. É como em um jogo de futebol, você entra ali, e muitas vezes não te passam a bola, não demonstram confiança em você, te deixam de escanteio, mas se você passar a bola, se você inspirar confiança, se você demonstrar que pode ocupar um lugar ali sem prejudicar os outros, ajudando-os a alcançarem seus objetivos. Aos poucos os vínculos vão se fortalecendo e a harmonia vai se estabelecendo em volta de todos. Provavelmente, nem sempre conseguiremos por em prática as tais regras, mas isso não pode nos impedir de recomeçar a cada amanhecer na esperança de fazer com que aquele único dia se torne um dia único. Enfim, como já dizia Cora Coralina: “Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

O autor, Antonio Brás Constante, é colaborador de Opinião