A cena já se tornou comum nos dias de hoje. O proprietário estaciona seu carro ou moto e vai trabalhar. Ao fim do expediente, ele tem uma surpresa bastante desagradável: o veículo foi furtado.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, nos seis primeiros meses deste ano houve 354 veículos furtados em Bauru. Em relação ao mesmo período do ano passado houve aumento de 31%, uma vez que o número registrado foi de 270 ocorrências.
Para o tenente-coronel e comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), Nelson Garcia Filho, esse tipo de crime é alarmante e a polícia deve implantar mais ações para coibir os criminosos. “Os outros índices de criminalidade estão diminuindo em Bauru. Realmente o que mais cresce são os furtos de veículo. Se não forem implantadas algumas ações, este quadro somente tende a piorar”.
Entre essas ações, Garcia propõe maior fiscalização nos desmanches. Segundo ele, no ano passado eram feitas mais operações do que atualmente. “Neste ano as operações estão mais tímidas. É necessário atuar nesses locais pois, com isso, irá inibir a ação dos bandidos”, afirma.
Porém, ele aponta que para uma ação efetiva, é fundamental a adoção de uma integração regional no combate aos furtos de veículos. “Precisamos fazer o mesmo trabalho de fiscalização em desmanches de toda a região. Não adianta ser somente em Bauru. Muitos veículos são furtados e levados para fora da cidade”.
Garcia também explica que, se a ação somente ocorrer em Bauru, o problema pode ser amenizado por aqui, entretanto, se agravará em outras localidades. “Se os criminosos perceberem que aqui está mais difícil cometer o crime, eles podem mudar para outras cidades. Assim, é preciso que o trabalho seja regional e em conjunto”, complementa.
E não são somente os desmanches que precisam ser abordados na ampliação dessas ações. Outros estabelecimentos, como oficinas e ferros-velhos, também precisam ser abrangidos na operação.
“É preciso fiscalizar as borracharias, pois o pneu que está sendo vendido pode ser produto de furto. Do mesmo modo acontece com os ferros-velhos. Já as oficinas mecânicas precisam checar a idoneidade e procedência do funcionário. Toda esta ‘indústria’ do furto de veículo precisa ser fiscalizada”.
Outro procedimento sugerido incide sobre a venda do acetileno, substância utilizada no corte de metais por maçaricos. Com mais fiscalização, seria possível saber quem comprou o material e com quais finalidades o está utilizando. Assim, quando fosse empregado em desmanches, os responsáveis seriam identificados e localizados.
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Maior incidência dos crimes
O coordenador operacional do 4º BPM-I, capitão Flávio Jun Kitazume, afirma que, ao contrário do que a maioria da população pensa, grande parte das ocorrências de furtos de automóveis acontece na área central da cidade (veja quadro ao lado).
“Os criminosos têm uma grande variedade para escolher qual veículo será alvo. E eles utilizam a dissimulação, pois furtam o veículo e, com o grande movimento, é difícil de serem notados. Muitos acham que é o proprietário que está entrando no automóvel”.
Para o capitão, os criminosos também aproveitam da rotina das pessoas, uma vez que a maioria das vítimas que foram furtadas sempre estacionava o veículo diariamente no mesmo local.
Além da localização, Kitazume afirma que há um horário de maior incidência dos crimes. “A maioria ocorre entre segunda e quinta-feira e exatamente no horário comercial. A maior parte das ocorrências é registrada entre 11h e 19h, momento em que as pessoas saem do trabalho e percebem que o veículo não está mais onde deixou”.
Em relação à maior fiscalização dos desmanches, o capitão conta que, em breve, uma operação atuará diretamente no problema. “Encerramos quarta-feira uma pré-operação de inteligência. Estamos levantando dados para iniciar efetivamente uma operação maior de fiscalização. Ao todo, cerca de 13 desmanches estão envolvidos”.