09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Danillo Vieira

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Cantor se entrega ‘de corpo e alma’

Com uma longa estrada musical já percorrida, o bauruense Danillo Vieira, que canta há mais de dez anos, lança seu novo trabalho: “Corpo, Alma e Coração - Ao Vivo”. Cantor sertanejo, mas de gosto eclético, o repertório de Danillo varia entre as batidas mais românticas e as mais dançantes.

O menino que queria ser jogador de futebol viu despertar o gosto pela música ainda criança. Sua carreira profissional teve início com a participação no concurso Jovens Talentos e Gente Inocente, ambos da Rede Globo.

Ao longo de sua trajetória, que já lhe rendeu boas e divertidas histórias, o cantor teve a oportunidade de dividir o palco com renomados cantores da música sertaneja como Daniel, Sérgio Reis, Guilherme e Santiago, João Bosco e Vinícius, Teodoro e Sampaio, Frank Aguiar, entre outros.

Dificuldades iniciais, a relação com fãs, vida pessoal e apoio da família também fazem parte da entrevista que ele concedeu ao Jornal da Cidade. Acompanhe os principais trechos a seguir.

Jornal da Cidade - A sua musicalidade surgiu espontaneamente ou você teve influências?

Danillo Vieira - Olha, dizem que uma tia minha teve um sonho quando minha mãe ainda estava grávida e, nesse sonho, minha mãe teria um filho cantor (risos). Cresci como uma criança normal e quando tinha uns 8 anos de idade, demonstrei vontade em aprender a tocar violão, mas não pensava em cantar. Fiz aulas na Casa da Cultura, no Teatro Municipal, onde recebi meu primeiro diploma relacionado à música. Tocando meus primeiros acordes, eu comecei também a cantar e as pessoas passaram a perceber que eu tinha facilidade para o canto.

JC - Você foi daquelas crianças que os adultos sempre pedem para cantar nas festas?

Danillo - (Risos) Fui. Quando eu tinha quase 10 anos de idade, surgiu uma febre de videoquê em Bauru. Saía com minha família e cantava com um primo. Era afinadinho e lembro-me que as pessoas gostavam, ficavam felizes. Um episódio engraçado dessas idas a videoquês foi em uma pizzaria. Um cara me pediu para cantar uma música em especial para ele e sua esposa e eles acharam bonito aquele menino pequeno e franzino cantar direitinho. Todo mundo aplaudiu e ele me deu uma taça de sorvete. Foi meu primeiro cachê. Imagine a alegria de uma criança cantando e ganhando sorvete porque acharam que a apresentação foi boa (risos). Aquilo me entusiasmou. Depois disso, as pessoas passaram a incentivar meus pais a investirem em minha carreira.

JC - Participou de programas de calouros?

Danillo - Participei de muitos concursos de videoquês em Bauru. Eu era a única criança. Certa vez, no Bar do Português, ganhei uma competição feita só com adultos. O engraçado é que ganhei garrafas de vinho e outros prêmios que nem usufrui porque não eram para crianças. Tempos depois, minha mãe me inscreveu no concurso Jovens Talentos do Faustão, já com 11 anos de idade. Uma coisa era as pessoas que não entendiam de música falar que eu cantava bem, outra era um profissional afirmar isso. Então, de 1.340 concorrentes de São Paulo eles classificaram seis, e eu estava entre eles. Pena que o concurso foi congelado e não cheguei a me apresentar.

JC - Isso te causou frustração?

Danillo - Não me lembro bem, mas minha mãe conta que sim. Imagine a empolgação de uma criança que acredita que vai cantar em um dos programas mais populares da TV. Eu contei para todos na escola e o pessoal ficava me cobrando, perguntando quando seria o programa. Por falar nisso, meu apelido na escola era “Chitão”, e eu não gostava nada disso. Meu pai achava que para ser cantor eu precisava ter cabelo comprido, já que os cantores da época tinham. Assim, minha mãe deixava meu cabelo comprido atrás e espetado na frente (risos). Os outros garotos tinham cortes de cabelo normais, curtinhos e eu, aquela figura. Mas, enfim, depois da seleção para o concurso, não parei mais de cantar.

JC - Como foram as suas primeiras apresentações?

Danillo - Ainda muito criança, eu passei a cantar em showmícios. Cantei por toda Bauru. Uma coisa que me causou frustração porque eu me apresentei durante toda a campanha de um candidato a prefeito e nunca recebi por isso. Depois de eleito, eu precisava de um violão e minha família não podia comprar. Minha mãe fez uma carta, muita gente assinou, ela levou até esse político, mas ele não me deu o violão. Tempos depois, meus pais conseguiram comprar o violão (risos) e aí continuei cantando e fazendo novos cursos.

JC - Fez programas de TV?

Danillo - Já me apresentei no Raul Gil, no programa Gente Inocente da Rede Globo e em praticamente todos os programas regionais como Viola Minha Viola, Amigos da Viola, Sabadaço... O primeiro foi na Rede Vida, no programa do Adilson Godoy. Eu só cantava música sertaneja e, quando minha mãe conseguiu a apresentação, ele pediu para eu ensaiar duas músicas de outro gênero. O engraçado foi que, quando ele me viu, ele disse para minha mãe que era melhor eu não gravar porque não acreditava que eu pudesse cantar. Enfim, quando o programa começou e eu cantei, ele ficou surpreso ao ver aquele pequeno menino no palco.

JC - Você deve colecionar boas histórias.

Danillo - Ah, muita coisa engraçada. Certa vez fiz um evento na cidade de Piratininga e minha família tinha um Fusca cujas portas não fechavam. Paramos umas três quadras antes da festa, cantei, tirei fotos com as meninas e fomos embora. Porém, havia uma ladeira e o fusca não subiu. Precisamos da ajuda de umas pessoas que estavam na plateia e que disseram com espanto: “Ué, você não é o cantor?”. As pessoas pensam que a música dá dinheiro, mas no início é muito complicado. No começo, minha irmã e meu primo precisavam subir ao palco comigo, senão eu não conseguia. Eles fingiam que cantavam e eu me sentia seguro com a presença deles.

JC - Você já tem uma relação estabelecida com as fãs?

Danillo - Tenho. Atualmente temos 12 páginas no Orkut onde, sempre que posso, respondo os recados. Também tenho um fã-clube das meninas de Piratininga e Bauru. Como hoje faço shows em todo o País, tenho fãs também em Goiás, Minas Gerais...

JC - Quando gravou seu primeiro disco?

Danillo - Tinha 15 anos de idade e foi em um show beneficente que fiz na Apae. Depois, quando tinha uns 17 anos, gravei um CD de divulgação em Uberlândia. Dentro desse álbum, eu resolvi regravar uma música de gravação do cantor Daniel, a faixa “Um coração em um milhão”. Fiz uma batida diferente e ficou bem legal. Foi graças a essa música que as portas começaram a se abrir. Isso há três anos. Essa faixa foi executada em muitas rádios, fiz muitos shows e fiquei conhecido por causa dela. Depois disso passei a procurar patrocínio e a separar músicas para o novo álbum: “Corpo, Alma e Coração - Ao Vivo”.

JC - Você também compõe?

Danillo - Sim, já gravei algumas músicas de minha autoria com parceiros.

JC - Qual é a importância da sua família para essa trajetória?

Danillo - Acredito que 100% de valor. Desde pequeno tive muitos “nãos”e eles estão sempre me protegendo e batalhando por mim. Acredito que se não fosse por elas, eu teria desistido. Na minha família tem muita gente ligada à música. Meu avô, que hoje tem mais 97 anos, tocava viola e decidi aprender esse instrumento, além do violão.

JC - O que faz para se divertir?

Danillo - Fora do trabalho, sempre gostei de sair com os amigos. Tive aquela fase de sair para baladas e chegar em casa depois das 6 horas da manhã e encontrar minha mãe me esperando no sofá. Mas isso passou. Hoje tenho uma segunda família que é o pessoal da academia, onde passo boa parte do meu tempo treinando muay thai e tocando viola. Sempre fui muito ligado ao esporte e tive muita energia. Não consigo ficar parado.

JC - Se não fosse cantor, qual profissão acha que teria?

Danillo - Eu queria ser jogador de futebol. E jogava bem, viu (risos). Cheguei a jogar por quatro anos na escolinha do BAC e uns dois anos no Noroeste. Mas como já cantava e fazia acompanhamento vocal, precisei optar. Quero fazer show e ter reconhecimento, é para isso que batalhamos tanto, mas se não conseguir o sucesso esperado, fico feliz em poder, ao menos, em continuar vivendo de música.

JC - Quais são as grandes pedras do início da carreira?

Danillo - Olha, são tantas dificuldades que quando dou entrevista e o repórter me pede para mandar um recado para quem está começando, eu tenho vontade de dizer que se a pessoa sabe fazer outra coisa além da música, é bom tentar. Passei dificuldades financeiras, preconceitos e bati com a cara em muitas portas. Nesse meio há muita gente oportunista, porém, também muita gente boa que ajuda. Tive ajuda com cursos, salão de beleza, divulgação... Não posso reclamar dos bauruenses, principalmente empresários e gente amiga que sempre nos deram apoio. Só tenho a agradecer.