Fiquei pasmo ao ouvir em um grandioso canal de TV, em horário de rede nacional (jornal matutino), por duas vezes na mesma edição (12/08/2010), uma delas dita por um veterano e respeitado apresentador, e a outra pela jornalista que apresenta a previsão do tempo, uma expressão absurda, normalmente usada pelos profissionais do mundo do futebol (leia-se jogadores, treinadores, repórteres e comentaristas).
O veterano apresentador, em uma reportagem sobre o perigo de mulheres usarem salto alto em calçadas esburacadas, disse ser necessária “Atenção Redobrada”. Já a jornalista do tempo, falando sobre umas grandes queimadas, que ocorria próxima a uma rodovia, disse que os motoristas precisavam ter “Atenção Redobrada”, por causa da fumaça que atrapalhava a visão. A turma do futebol, quando se refere à necessidade de fazer uma marcação diferenciada, sobre um determinado jogador, o mais habilidoso, o craque da equipe adversária; diz que vai ser necessária uma “Atenção Redobrada” no dito cujo.
Ocorre que só é possível multiplicar o que seja concreto e “atenção” é abstrato. E ainda que fosse possível, por que já de início multiplicar por quatro? Sim, pois o prefixo “re” significa refazer; logo “redobrada” é dobrar algo que já havia sido dobrada.
Esse pessoal pode até conseguir dar cabimento no uso da expressão, alegando que querem dizer que serão necessários quatro jogadores só para dar conta do craque adversário; muito embora seja um descabimento em qualquer esquema tático do jogo.
Quanto aos profissionais da televisão, não existe como justificarem o uso, pois não é possível a mulher de salto alto que caminha na calçada esburacada e o motorista que dirige na rodovia esfumaçada quadruplicar algo sem dimensão ou prestar quatro atenções.
Carlos A. Moratelli