Diante da reportagem publicada no último dia 11 de agosto - “Árvores estão sendo dizimadas da área urbana por falta de cidadania” - não me resta outra saída senão lamentar o descaso do ser humano com a natureza.
As árvores sempre foram sinônimo de vida, de alegria: trazem nas flores a beleza; nos frutos divino sabor. Antigamente, as crianças faziam da arvorezinha sua companheira durante as brincadeiras com o balanço. Sob a copa da "velha amiga", as pessoas se reuniam para conversar. Não havia nada melhor do que aproveitar a sombra dos arvoredos, com seus galhos repletos de folhas grandes e multiformes.
Hoje, o que vemos é o cenário biológico, com árvores, flores e animais sendo substituído pelas arquiteturas feitas com pedra e cimento. A natureza tenta ganhar espaço, sobreviver, mas não sabemos até quando conseguirá suportar. As árvores, que antes enfeitavam os jardins, já não existem mais, afinal, só trazem problema e sujeira. Lembro-me de um texto do poeta da natureza, Rubem Alves, que diz assim: “Havia um ipê amarelo que florescia no mês de julho. O chão ficava dourado com suas flores. Mas a dona da casa em frente ao ipê e a sua incansável vassoura deram o nome de ‘sujeira’ ao dourado das flores caídas. E, um belo dia, a árvore amanheceu com um anel cortado na sua casca. As veias pelas quais a seiva circulava haviam sido seccionadas durante a noite. O ipê morreu. A vassoura triunfou. Há pessoas cujas idéias nascem da vassoura”.
Pior me sinto ao constatar que alguns indivíduos preferem pagar multa ao invés de manter viva uma árvore saudável. Pactuando com o pensamento do poeta, fico imaginando, o que falta nessas pessoas? Consciência? Um pouco, talvez, pois sabemos que plantando árvores garantimos o oxigênio; cortando-as, desprotegemos o solo. Será que lhes falta conhecimento? Não. Na verdade, acredito que conhecem muito, mas colocam bem pouco do que aprendem em prática. Caso contrário, o planeta seria exuberante.
Não, o que falta não é consciência, tam-pouco conhecimento. O que falta é amor. Quem ama, cuida. Se não amamos a natureza, as possibilidades de que ela seja preservada são ínfimas. Com amor, mundos melhores são feitos. Portanto, vamos ensinar nossas crianças a amar as árvores. Vamos fazer um jardim, plantar uma sibipiruna, um fícus, um chapéu de sol e construir balanços no quintal. Já está na hora de agirmos em favor da vida. Se não o fizermos, definitivamente, a vitória será da vassoura. E a dona de casa nunca mais terá que varrer a sua calçada.
Priscila Sato