10 de julho de 2026
Nacional

Hóspedes cancelam reservas após invasão de quadrilha de traficantes


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Rio de Janeiro - Ontem, um dia depois do confronto entre traficantes e policiais, que terminou com a invasão do Intercontinental, onde 35 pessoas foram feitas reféns, o hotel de luxo teve 73 cancelamentos de reservas, entre desistências de hóspedes que estavam por chegar e a saída adiantada daqueles que pretendiam passar mais alguns dias no Rio.

Nem o reforço do policiamento em São Conrado, bairro da zona sul do Rio, levou tranquilidade àqueles que ficaram sob as armas dos criminosos ou trancados em seus quartos por cerca de três horas. A assessoria de imprensa do Intercontinental informou que não foi oferecida nenhuma compensação financeira aos cinco hóspedes que foram mantidos reféns, ao lado de 30 funcionários. Esses hóspedes estariam recebendo “atenção especial” da direção do hotel.

Durante o dia, carros da PM patrulharam o bairro. Vans foram paradas e fiscalizadas pelos policiais.

Imagens divulgadas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e transmitidas pela Globo News, mostra o momento em que os dez homens foram presos no Intercontinental. Os criminosos aparecem rendidos, com as mãos para trás da cabeça. Um deles pede: “Não precisa esculachar, não”.

Os homens deixaram o hotel sem camisetas. Enquanto caminhavam, um policial explicava que as roupas seriam devolvidas depois. Um policial do Bope tenta acalmá-los. “Rapaziada, tranquilo. Fica tranquilo”.

O conflito, que levou pânico aos moradores do bairro de classe média alta, começou quando um “bonde” de bandidos da Rocinha voltava de um baile funk na favela do Vidigal, comunidade próxima, e foi interceptado por PMs, em São Conrado. Uma mulher morreu no conflito e quatro PMs ficaram feridos. Segundo a polícia, Adriana Duarte de Oliveira dos Santos, de 41 anos, fazia parte do bando e era responsável pela contabilidade do tráfico.

Com o grupo que manteve 30 funcionários e cinco hóspedes do hotel presos na cozinha por mais de uma hora foram apreendidos oito fuzis, cinco pistolas e três granadas.

A polícia do Rio investiga se o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, estava entre os bandidos. Câmeras do Hotel Intercontinental e dos condomínios próximos estão sendo analisadas para tentar identificar a presença de Nem.