Gaza - A Liga Árabe declarou ontem estar “extremamente inquieta” com a posição israelense sobre as condições de negociações com os palestinos. Na última sexta-feira, os dois lados aceitaram retomar as negociações diretas de paz, em uma reunião tripartite em setembro próximo, em Washington (EUA). O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se posicionou a favor de um diálogo sem agenda prévia.
Os palestinos, no entanto, têm como condição para retomar a negociação direta o fim da colonização no território palestino da Cisjordânia.
A Liga Árabe expressou temor de que o processo de paz entre outra vez em um círculo vicioso de negociações, “que não alcançam o objetivo esperado”.
Também ontem, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu surpreender os céticos que duvidam que as negociações diretas com os palestinos, previstas para o início de 2 de setembro, concluam com um acordo de paz.
“Posso entender os céticos. Mas temos a intenção de surpreendê-los, sempre e quando tenhamos um interlocutor sério”, afirmou Netanyahu pouco antes do início da reunião semanal de governo. “Um acordo de paz com os palestinos é difícil, mas possível.”
O anúncio das negociações diretas foi recebido com ceticismo pela imprensa israelense, que recordou o fracasso de iniciativas similares há alguns anos. O jornal “Yediot Aharonot”, por exemplo, recordou que negociações desse tipo já foram tentadas em 1993 em Oslo e Washington, e continuaram em Camp David, em 2000, em Taba, Egito, em 2001, e em Annapolis, Estados Unidos, em 2007, sem que se conseguisse nenhum resultado.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou na última sexta-feira o convite americano para a retomada do diálogo direto entre palestinos e israelenses. “Houve dificuldades no passado e haverá dificuldades agora.
As conversas atingirão obstáculos e os inimigos da paz continuarão tentando nos prejudicar”, disse Hillary, reconhecendo a dificuldade do processo.
Israel logo em seguida aceitou a proposta. No final daquele dia, a mesma postura foi adotada pelo lado palestino. A reunião tripartite está prevista para os próximos dias 1º e 2 de setembro, em Washington, e encerra 20 meses de paralisação das negociações diretas.
Idas e vindas
As negociações de paz lançadas em Annapolis (EUA), no final de 2007, estão estagnadas desde dezembro de 2008, quando os palestinos abandonaram o processo de paz após o início da ofensiva militar israelense contra a faixa de Gaza, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos, na maioria de civis.
Posteriormente, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, se negou reiteradamente a voltar à mesa de negociação enquanto Israel não paralisasse totalmente a ampliação das colônias judaicas e assentamentos na Cisjordânia, um dos pontos mais delicados do processo.
Em março passado, Abbas aceitou iniciar conversas indiretas de paz sem que se tivesse cumprido sua exigência, mas a aprovação da ampliação de uma colônia em Jerusalém Oriental, durante a visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, jogou por terra a possibilidade e originou a maior crise diplomática em décadas entre Israel e Washington.
Em visita à Casa Branca em julho, Netanyahu disse estar disposto a tomar passos concretos e seguir com o plano mediado pelos EUA de iniciar diálogo direto em setembro próximo. Ele não afirmou, contudo, quais seriam os requisitos israelenses, ou, ainda mais importante, o que Israel estaria disposto a ceder pelo diálogo.
As pressões diplomáticas se intensificaram nos últimos dias, já que em 26 de setembro vence a moratória de dez meses para construção de assentamentos nas colônias judaicas da Cisjordânia.