Lendo o Jornal da Cidade do dia 15/08/10, vi a notícia na página 8 a respeito do concurso de beleza da chamada “terceira idade” - ou “melhor idade”- com muitos elogios, uma grande festa. Por outro lado, o “Estadão” publicou no dia 1 de agosto p.p. uma notícia sobre o 17.º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado recentemente em Belo Horizonte. Eu, particularmente, concordo “ipsis literis” com as seguintes conclusões do congresso: “defendem (seus participantes) o fim da infantilização e da estigmatização dos idosos como grupo homogêneo, que gosta das mesmas coisas, necessariamente frágil e bonzinho com pouca autonomia. O estigma ainda é muito grande. Defende-se que todo idoso tem de fazer atividade física e viajar. O fato é que, às vezes, ele não quer, não gosta. É preciso ver as características de cada um”. São afirmações da coordenadora da área de saúde do idoso do Ministério da Saúde, dra. Luíza Maia. Continuando, “a mídia também coloca o velho sempre como um pobrezinho, demenciado, bonzinho. Mas há idosos de todos os tipos, bonzinhos e cafajestes”. E a dra. Luíza ainda afirma: “o idoso é um ser integral, tem de ser protagonista da própria vida. Quando ele está em uma cadeira de rodas, pode não ter independência, mas sim autonomia”. No mesmo artigo, informam os participantes do congresso que criticam programas públicos que apenas investem em bailões, lazer e concursos de beleza, sem ver outras dimensões do envelhecer, como atenção especializada à saúde, renda, educação e habitação.
O carioca Alexandre Kalache, que dirigiu a Organização Mundial da Saúde entre 1994 e 2008 e hoje é consultor para a área da Prefeitura de Nova York, é um especialista que afirma: “o acúmulo de capital financeiro e saúde é a única forma de envelhecer bem”. “O termo ‘melhor idade’ é um horror. É dourar a pílula. É preciso, sim, se preparar para o envelhecimento, e não esperar ter 65 anos para isso; poupar saúde desde a adolescência”, recomenda Kalache.
Achei muito bonitas as palavras do criador da disciplina de geriatria no Brasil, dr. Yukio Moriguchi, de 84 anos, que entre outras coisas afirmou: “os jovens podem ajudar, dando apoio nas dificuldades econômicas. E também quando forem caminhar, levando a avó. Se ela não pode caminhar sozinha, dê o braço para ela”.
Há muitos anos penso desta maneira e somente agora, nesse congresso, vejo que minha maneira de encarar a velhice foi ratificada no 17.º Congresso de Geriatria e Gerontologia, realizado em Belo Horizonte no final de julho p.p., o que me deixou muito feliz.
Lembro-me ainda de uma frase da atriz Elizabeth Taylor que acho ótima: “Você pode ser um jovem pobre, o que você não pode ser é um velho pobre”.
Vera Amaral Galvão