08 de julho de 2026
Política

Cemi custa o dobro, mas é escola comum

Por Lígia ligabue | Com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O projeto do Centro de Educação Municipal Integrado (Cemi), lançado em 2008, está sendo aproveitado na atual gestão como unidade comum da rede em Bauru, embora tenha custado o dobro de uma escola municipal. A discussão em torno do programa foi alimentada na sessão de anteontem da Câmara Municipal de Bauru, quando a vereadora Chiara Ranieri (DEM) questionou que a própria prefeitura apontava a existência dos Cemis, pedia aprovação de projeto para liberação de mais uma unidade, mas não ainda ocupa os prédios como escolas “normais”.

A proposta do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) votada na última sessão, da administração receber de volta uma área anteriormente cedida a uma igreja para a construção de mais um Cemi, gerou questionamentos pelos vereadores Chiara Ranieri (DEM) e Marcelo Borges (PSDB).

No final de 2008, a prefeitura inaugurou dois Cemis na cidade – no Jardim Progresso e Parque Viaduto – que custaram pouco mais de R$ 2 milhões cada um. Agora, a administração atual anuncia a terceira unidade. Para a vereadora, um novo Cemi em Bauru é positivo. Porém, Chiara questionou que a estrutura não funciona como projeto integrado e em dois períodos, como concebido. Já Borges enviou ofício à prefeitura perguntando sobre as obras do Cemi no Núcleo Isaura Pitta Garms

A Câmara aprovou a desafetação (retorno) da área que era destinada a uma igreja, no bairro Cidade Jardim, para o município. Mas os vereadores querem que o governo resolva como vai funcionar a unidade. O prefeito disse no projeto que o espaço será destinado para a construção de mais um Cemi.

Mas, no início deste mês, Chiara encaminhou à prefeitura pedido de informações sobre estes projetos. A Secretaria Municipal de Educação respondeu que nenhuma unidade escolar na cidade funcionava como Cemi.

“Mas as informações que constavam do site da prefeitura eram que existiam dois Cemis na cidade: um no Jardim Progresso e outro no Parque Viaduto”, ressalta.

Entretanto, no dia a dia, essas unidades abrigam salas do ensino comum, sendo o fundamental (Emef) e infantil (Emei). “O custo de uma obra para o Cemi é muito maior que o de uma Emef. Chega a ser o dobro, mas o uso está sendo de outra forma”, critica. A secretaria diz que precisa montar estrutura de pessoal e pedagógica para o programa funcionar.

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Secretaria promete resolver improvisação

A secretária Municipal de Educação, Vera Caserio, reconhece que os Cemis não funcionam como foram idealizados, mas argumenta que a administração precisa formatar projeto para sua concepção. Ela aponta que a terceira unidade será construída e, neste tempo, o projeto como concebido será instalado.

“Nós estamos fazendo uma análise de como nós podemos funcionar em toda a rede e também nesses prédios (Cemis). Não é possível mais improvisar. Neste momento, não temos equipe e nem programa pedagógico pronto para o funcionamento dessas unidades como elas foram concebidas. Nós estamos fazendo um projeto estruturado, com pessoal suficiente para atender, com atividades programadas, para evitar improviso”, diz.

Ao ser indagada sobre o fato de uma escola normal da rede estar custando, com ampliação, em torno de R$ 1,2 milhão, contra mais de R$ 2,2 milhões do último Cemi, a secretária de Educação Vera Caserio, argumentou que as unidades estão sendo aproveitadas. “A construção levou em conta a instalação de uma escola fundamental (Emef), uma escola de educação infantil (Emei) e uma quadra. Então o projeto tem a construção de várias escolas. O que precisa é funciona-las como Cemi. A estrutura está correta e vamos fazer. Mas queremos projeto para ele funcionar como concebido”, reforça.

Sobre a terceira unidade para um Cemi, cuja solicitação de área foi aprovada pela Câmara anteontem, a secretária e o prefeito disse que a proposta será neste sentido. “Nós vamos fazer o terceiro Cemi e vamos fazer o projeto para ele funcionar integrado. Hoje não há condições disso. A prefeitura está inaugurando a 13ª escola e temos mais 30 processos de construção para o próximo ano. Estamos trabalhando com quantidade e qualidade na educação. Tem material escolar e uniforme para todos, tem a reestruturação da secretaria na Câmara e o plano de cargos e salários. Estamos atuando”, argumenta Caserio.

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Escola diferenciada

Em 2008, o JC publicou diversas reportagens sobre o projeto do Cemi, onde a prefeitura justificou que os projetos eram diferenciados e, por isso, mais caros para atender a demanda de vagas por creches em Bauru e permitir a implementação de programa pedagógico diferenciado.

Ontem, o JC foi até essas unidades. Os prédios são amplos, com quadras cobertas.

A assessoria da prefeitura apontou que no Jardim Progresso, onde deveria funcionar o Cemi, está a Emef José Francisco Júnior desde dezembro de 2008. Ela atende cerca de 400 alunos em sete turmas em cada turno. Pela manhã, atuam 13 professores para 198 estudantes, Já durante à tarde, são 15 professores e 203 crianças. Ao lado, funciona a Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Dalva de Freitas Ferraz Costa, onde estudam 133 crianças em sete turmas com oito professores.

Já no Parque Viaduto, a Emef Claudete da Silva Vecchi funciona no prédio construído para receber o ensino integral desde setembro de 2008. No período matutino, são nove turmas com 253 alunos, atendidos por 15 professores. Já durante a tarde, são mais nove turmas totalizando 231 estudantes, com 14 professores. Ao lado funciona a Emeii Gisele Marie Savi de Seixas Pinto, com sete turmas de 119 alunos para oito professores.