08 de julho de 2026
Turismo

Comandatuba

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

A primeira imagem que vem à mente de uma ilha é a de um lugar cercado de águas, deserto e cheio de obstáculos a desbravar. Mas, com exceção da água abundante, da natureza intocada e de um lugar perfeito para jogar fora todas as preocupações, o que se encontra na Ilha de Comandatuba é mordomia total. É lá que funciona desde os anos 90 o mais completo e um dos mais luxuosos resorts brasileiros: o Hotel Transamérica.

Exemplo de qualidade que nunca cai, de gastronomia premiada, de preservação do meio ambiente, o hotel é o único do Brasil a contar com aeroporto próprio. Os aviões Airbus, da TAM Linhas Aéreas, fazem escala por lá às quintas – ida – e retorno aos domingos, na baixa temporada. Na alta, ida e vinda constante.

E tem outro diferencial para ninguém se preocupar de pegar táxi ou carro para ir até o Aeroporto de Congonhas: o hotel (www.transamerica. com.br) fechou acordo com a BAS Service e a Interfleet (airbas@airbas.com.br) para levar mais comodidade aos turistas.

A Interfleet passa a oferecer aos clientes da unidade o serviço de transfer da residência do cliente ao aeroporto, nos trajetos de ida e volta. Já a BAS, líder de assistência aeroportuária, auxiliará os clientes na hora do embarque, desde o check-in no aeroporto até o envio de sua bagagem.

O tratamento vip não para. O avião aterrissa na pista de Comandatuba e o turista pode esquecer das malas. Só as verá depois do check-in, no quarto. Desce, embarca em um ônibus na vilinha graciosa reduto de pescadores baianos, onde atravessa com tranquilidade, em embarcações limpíssimas, o canal do rio Una.

Baianas com trajes típicos na mais branca renda dão às boas vindas aos visitantes com água de coco, champanhe e colares com a tal sementinha que dá sorte. Na sequência vem o trenzinho, o coqueiral, as primaveras multicoloridas, as plantas típicas do trópico e a simpatia baiana, estampada no sorriso dos recepcionistas, do condutor do trenzinho, das camareiras. Tudo impecável.

A maioria dos funcionários do hotel trabalha lá há anos, se mantendo fiel à rede. Moram em Canavieiras, no povoado de Comandatuba (onde o hotel mantém unidade) e em Una. O relações-públicas é um gentleman, sempre disposto a atender todas as solicitações dos visitantes, muitos familiares por lá.

O hotel participa ativamente da economia do povoado; por conta dele surgiram lojinhas de artesanato, restaurantes, supermercados de bairro e até uma venda de Catuaba, o Viagra local. O dono da biroska, “seu” Adonel, tem 93 anos e garante que a coisa funciona.

O lugar é acanhado, escuro, apertado, mas não falta a imagem de Nossa Senhora, um poster antigo da Playboy (dos tempos que a mulherada era natural) e uma mesa de bilhar. Os homens jogam, contam causos e vão bebendo a erva afrodisíaca para na volta fazer mais filhos.

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Natureza sem risco

O Transamérica foi construído numa área antes ocupada por uma imensa fazenda repleta de coqueiros. Nada foi alterado, tudo preservado, numa harmonia perfeita com a natureza. Para deixar o lugar mais atraente, foram contratados dois “papas”: o arquiteto Ricardo Julião e o paisagista Edward Stone (o mesmo da Casa Branca, em Washington, EUA), que acertaram em todos os detalhes.

A luz e a água chegam a Comandatuba através de dutos subterrâneos; a telefonia foi viabilizada por ondas de rádio; com exceção da torre, as construções não ultrapassam a copa dos coqueiros; nas áreas livres, como lobby e restaurantes, a refrigeração está assegurada através de esquadrias e portas de vidro.

A vegetação nativa se espalha numa área de oito quilômetros quadrados, conferindo beleza singular.

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Ar puro e a reserva ambiental

Vários passeios guiados são oferecidos pelo hotel (alguns terceirizados) para quem quer curtir a natureza em seu estado mais puro. Observação de aves, cavalgada ecológica, ecobike, passeio da lama negra, passarela dos caranguejos, floresta atlântica e caminhada ecológica são alguns deles (leia mais nas páginas 2 e 4).

Micos-leões-dourados, macacos-do-peito-amarelo, bichos-preguiça, jaguatiricas e mais de uma centena de aves vivem no Ecoparque do Una, um espetáculo da natureza que remonta à época do descobrimento e que continua sendo tratado com respeito, num compromisso com as próximas gerações.

O Ecoparque de Una é uma reserva particular reconhecida pelo Ibama e criado em 1997. São 11.400 hectares, uma verdadeira vitrina do que sobrou da Mata Atlântica, que ocupava 12% do território nacional, antes da chegada de Cabral.

Trata-se de uma das florestas mais ricas e ameaçadas pelo planeta. Foi proclamada “Reserva da Biosfera” em 1991, pela Unesco, e Patrimônio Nacional pela Constituição de 1988. Nessa área foram descobertas 456 espécies diferentes de árvores.

Dependendo do tempo de hospedagem no hotel e do perfil do visitante, uma dica é procurar uma excursão guiada pelas trilhas e passarelas do Ecoparque de Una. Lugar cercado de manguezais, restingas, rios, lagoas, cachoeiras, grutas e uma floresta que ainda guarda riqueza especial.