08 de julho de 2026
Internacional

México tem dia de chacinas e bombas


| Tempo de leitura: 2 min

Matamoros - Em atos mais afeitos a grupos terroristas, o narcotráfico mexicano respondeu com carros-bomba, novas chacinas e o desaparecimento de um promotor à pressão do governo pelo massacre de 72 imigrantes ilegais, na última segunda-feira.

Dois carros-bomba explodiram ontem em Ciudad Victoria - Capital do Estado de Tamaulipas, o mesmo de San Fernando, onde foram encontrados os corpos. Um deles provocou danos materiais na sede local da emissora Televisa, a maior do país. O episódio foi interpretado como uma tentativa de intimidar a mídia local.

Segundo o presidente mexicano, Felipe Calderón, o promotor Roberto Jaime Suárez, que investigava o massacre de San Fernando, está desaparecido há dois dias. Ele chegou a ser declarado morto, após dois corpos terem sido encontrados em uma estrada, mas depois a notícia foi desmentida por Calderón.

Também ontem, foram encontrados mais oito corpos em Ciudad Juárez e 14 em diferentes lugares de Acapulco - alguns, segundo a polícia, vendados e cobertos por um papelão com mensagens intimidatórias (não divulgadas) a cartéis de drogas rivais.

Calderón admitiu que a narcoviolência tende a aumentar: “A única maneira de detê-los (traficantes) é com a força pública, o que vai trazer, ao menos no curto prazo, também violência”.

Vítimas

Até ontem, as autoridades informaram ter identificado 31 dos 72 imigrantes - um brasileiro (de identidade não divulgada), 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos. Investigadores sob forte proteção policial estão comandando a apuração.

A chacina, uma das maiores já registradas na guerra do tráfico do país, é atribuída ao cartel Zetas, segundo relatos do único sobrevivente da tragédia, o equatoriano Freddy Lala Pomavilla.

A suspeita é que os imigrantes, que tentavam cruzar a fronteira para os EUA, morreram por terem se recusado a trabalhar para o cartel. Mas um parente de um dos guatemaltecos mortos disse ter recebido, no fim de semana, telefonema com pedidos de resgate.

Pomavilla permanecia internado ontem, com ferimentos à bala na garganta. O presidente do Equador, Rafael Correa, disse que quer “trazê-lo de volta ao país o mais rápido possível”.

A chacina de imigrantes recebeu condenações da ONU e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Desde 2006, quando Calderón intensificou o combate ao tráfico, 28 mil pessoas morreram no país em episódios de narcoviolência.