O brasileiro está mais gordo e o ponteiro da balança está subindo cada vez mais rápido. Quase metade da população do País está acima do peso e cerca de 15% desses são considerados obesos, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última pesquisa sobre o tema, referente aos anos de 2002 e 2003, 41% da população tinha excesso de peso.
Segundo o órgão, caso mantenha o atual ritmo de expansão, em dez anos o Brasil terá a mesma proporção de pessoas acima do peso que os Estados Unidos têm hoje, de dois terços da população. “O que nos deixa preocupados é o crescimento constante. Estamos no olho do furacão do que a Organização Mundial da Saúde chama de epidemia global de obesidade”, avalia o médico nutrólogo da Associação Brasileira de Nutrologia Nataniel Viuniski, especialista sobre o tema obesidade que está em Bauru neste final de semana para participar de uma série de eventos para convidados.
Intitulado Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o levantamento aponta que o problema do excesso de peso atinge mais homens que mulheres, embora a diferença seja considerada pequena. Já a obesidade é maior entre as pessoas do sexo feminino. Em 2009, 49% dos brasileiros com 20 anos ou mais apresentavam excesso de peso, sendo que entre os homens esse patamar chegou a 50,1% e, entre as mulheres, a 48%.
O resultado representa, de acordo com o IBGE, um grande salto estatístico em relação ao perfil observado na década de 1970. “Hoje nós vivemos em um ambiente obesogênico, em que uma série de fatores conspiram para que a gente pese mais, entre elas a alimentação, o sedentarismo e o estresse”, cita Viuniski, que atuou como consultor do estudo desenvolvido pelo IBGE.
No levantamento, o sobrepeso é maior entre os que têm 55 anos e 64 anos, sendo que 60,7% apresentam quilos a mais. O problema da obesidade, identificado em 14,8% dos adultos brasileiros, é mais grave entre as mulheres (16,9%) do que entre os homens (12,5%).
Viuniski ressalta que o aumento de peso da população representa um grave problema para a saúde dos brasileiros, em decorrência da grande variedade de moléstias relacionadas, entre elas hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, infarto, derrame e até alguns tipos de câncer. “E quanto mais sobrepeso tiver a população, mais os gastos o País terá com essas doenças e mais pessoas morrerão em função delas. Por esse motivo, uma pesquisa como essa é importante como medida para nortear as políticas públicas de saúde a serem desenvolvidas”, aponta.
O excesso de peso e a obesidade foram observadas em todas as faixas etárias pesquisadas pelo IBGE, independentemente do sexo, da região ou da faixa de renda. Viuniski observa, no entanto, que o Brasil, um país em desenvolvimento que alcançou significativa estabilidade econômica com aumento do poder de consumo na últimas década, vivenciou o que se denomina transição nutricional.
“Até a década de 1970, o grande desafio do País era combater a desnutrição, principalmente no Norte e Nordeste. Hoje nós mal ouvimos falar do programa Fome Zero. A exemplo do que ocorre no mundo, já temos mais pessoas morrendo pelo excesso de peso do que pela carência de calorias”, pontua.
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Como calcular o IMC
O Índice de Massa Corporal (IMC) é um padrão internacional de cálculo da obesidade de um indivíduo adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O método, desenvolvido no fim do século XIX, é a forma mais fácil de saber se uma pessoa está com o peso ideal ou não, mas seu uso não é algo considerado totalmente inequívoco.
A altura (calculada em metros) e o peso (calculado em quilogramas) do indivíduo são os dois fatores levados em conta no cálculo. Para saber o índice de uma pessoa, basta dividir seu peso pela sua altura elevada ao quadrado.
Após o cálculo do índice, é preciso conferir a tabela da OMS que indica os graus de obesidade. Nela, os índices abaixo de 18,5 são considerados abaixo do recomendado; entre 18,5 e 25, são tidos como normais. Já entre 25 e 30, o indivíduo é considerado acima do peso, apresentando maiores chances de apresentar complicações de saúde. Pessoas com IMCs acima de 30 são consideradas obesas e, neste caso, é extremamente recomendável procurar um médico em virtude do alto risco de complicações metabólicas.
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Infância e adolescência
O excesso de peso foi identificado pelo estudo em uma em cada três crianças de 5 a 9 anos (33,5%), o equivalente a um salto de 20 pontos percentuais em 20 anos. Entre os 34,8% de meninos com sobrepeso, quase metade (16,6%) apresentou obesidade - mais de quatro vezes os 4,1% de 1989. Nas meninas, de 32% com sobrepeso, um terço (11,8%) era obesa - quase cinco vezes os 2,4% registrados em 1989.
Segundo o ministro, o governo está empenhado em melhorar a qualidade da alimentação escolar para tentar combater o aumento de peso da população.
A tendência de aumento de peso entre adolescentes com idades entre 10 e 19 anos se manteve nos últimos 34 anos. No sexo masculino, o índice passou de 3,7% para 21,7%. Já entre as mulheres, as estatísticas saltaram de 7,6% (1974-1975) para 19,4% (2008-2009). Entre os dois sexos, o sobrepeso tendeu a ser mais frequente em áreas urbanas que em rurais.