O título que mais parece um anúncio de vaga no mercado de trabalho é, antes de tudo, uma convocação para evitar que o Centro de Valorização da Vida, conhecido como CVV, feche suas portas em Bauru. Ao invés de um valor pecuniário como pagamento, a entidade oferece a oportunidade para evolução pessoal.
O CVV de Bauru teve que mudar o nome porque não atende 24 horas. Hoje é o Posto Samaritano que reduziu o atendimento para 12 horas, das 19 às 7 horas, por falta de gente que saiba ouvir aquele que está com alguma dificuldade na vida e com propensão para o suicídio.
Mas com a persistência dos voluntários, a entidade pretende continuar e até ampliar o atendimento. Voltar a ser o CVV é um anseio do grupo. Para funcionar 24 horas seria preciso 40 voluntários, porém o ‘efetivo’ não passa dos 10. Já esteve no ‘osso’ meses atrás quando apenas cinco pessoas se dispunham a emprestar o ouvido sem dar ‘receitas’ prontas para problemas alheios.
Foram 824 atendimentos de janeiro a julho deste ano. Pessoas que sofrem de estresse excessivo, que não confiam em outra para desabafar e muitos que estão passando pelo mal do momento, a solidão. O coordenador dos serviços em Bauru, Antonio Alves da Silva, 38 anos explica que a filosofia do CVV é baseada na prevenção ao suicídio.
“Trabalhamos com os sentimentos das pessoas necessitadas. Entendemos que elas nos procuram porque têm certa dificuldade. Os voluntários são orientados a ouvir, compreender e ajudar o outro, sem ao menos saber quem é este outro. Respeitamos todos os problemas, sejam eles, assassinato, pedofilia ou um simples desabafo. Acreditamos que ao ser ouvido, aquele que está enfrentando e envolvido na questão, descarrega e não chega a pensar em acabar com a vida.”
Cicatrizar feridas
O atendimento do posto é um ‘remédio’ que pode cicatrizar as feridas do atendido e daquele que atende, explica Silva. “Ao atender uma pessoa com dificuldade, o voluntário aprende a lidar melhor com suas. Eu por exemplo, comecei a trabalhar há sete anos e aprendi muito. O principal aprendizado foi perceber que apesar de reclamar muito eu não tinha problemas. Minha vida que era conturbada ganhou equilíbrio. Vivenciar os obstáculos alheios me motiva a continuar o trabalho prestando apoio e preservando a vida”, disse.
Ao contrário do que alguns possam pensar, são os jovens que lideram a lista dos atendidos. “Eles recorrem a nós porque sabem do sigilo absoluto e pela falta de alguém que possa ouvi-los sem criticas. Nós ouvimos e cumprimos um protocolo de ações, sem emitir opinião.”
• Serviço
Informações e inscrições prévias do curso podem ser feitas pelo telefone: 14- 3011 7736 com Antônio. O curso é gratuito e as inscrições podem ser feitas pessoalmente na segunda-feira, na Rua Cussy Júnior, 3-47, prédio da Iesp/Prevê, às 19 horas. O Posto Samaritano funciona na sala 50 do Terminal Rodoviário de Bauru, das 19 ás 7. Atende pelo telefone: 14- 3222 4111
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Curso começa na segunda
Para ser voluntário do CVV basta ter 18 anos e esbanjar vontade de se doar. Para se habilitar é preciso frequentar o curso que começa nesta 2a feira, às 19 horas, e perdura por mais oito semanas, sempre as segundas-feiras, no mesmo horário. Depois é só arregaçar as mangas e ajudar o próximo.
A maior dificuldade enfrentada pelos iniciantes, de acordo com o coordenador, é ouvir sem emitir opinião e agir conforme o protocolo, ou seja, não envolver religiões e política.
Os horários disponíveis do voluntário é que vão determinar o período que ele fará o atendimento. “O mais importante é ter o voluntário. Os horários podem ser remanejados a fim de favorecê-lo. Não precisa ser aposentado. Dos 10 atuais voluntários, a maioria ainda trabalha.”
O curso prepara o voluntário na teoria e na prática, avisa o coordenador. “Ele vai saber o que a entidade faz, sua filosofia e como agir nas situações de atendimento, via telefone. Para treinar a prática fazemos simulações e acompanhamos o voluntário”.