11 de julho de 2026
Regional

Aeronave ‘nasceu’ para substituir modelos importados na agricultura

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O projeto do avião Ipanema começou no final da década de 60 e foi concebido para substituir os modelos importados na agricultura brasileira. O Ministério da Agricultura solicitou ao Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento (IPD) o desenvolvimento do projeto que se tornou realidade com a criação da Embraer, em 1969.

A aeronave, própria para semear e realizar a pulverização das culturas do País, recebeu o nome Ipanema em homenagem à Fazenda Ipanema, em Iperó, onde na época havia uma escola de formação de pilotos e um centro de pesquisas de aviação agrícola mantidos pelo Ministério da Agricultura.

“A aeronave foi idealizada para acompanhar os investimentos na agricultura brasileira. Hoje, o Ipanema é líder na aviação agrícola”, frisa o diretor industrial da unidade da Embraer de Botucatu, Almir Borges.

O primeiro protótipo do Ipanema foi o segundo avião produzido pela Embraer, logo após o planador Urupema. O modelo original tinha motor de 260 HP, hélice de passo fixo, sistema hidráulico de pulverização e reservatório para aplicação com capacidade de 580 litros.

Para manter o modelo sempre atual, a aeronave original foi modificada ao longo dos anos pela Embraer. Passou a ter hélice de velocidade constante, rodas maiores, motor mais potente - com 300 HP -, bequinha de maior diâmetro, novos amortecedores e perfil da asa, entre outras características.

Em 1992, o Ipanema foi apelidado de Ipanemão por conta do aumento da capacidade do reservatório para 950 litros, presente no modelo EMB 202. A versão incorporou melhorias aerodinâmicas para garantir maior velocidade e estabilidade e um inovador sistema de pulverização eletrostática. A mais recente alteração foi feita em 2005. O motor passou a ser de 320 HP, portanto mais potente e movido a etanol.

Exterior

O mercado externo não é a ‘praia’ do Ipanema, que não decolou em outros países por conta de estar atrelado à atividade agrícola. “Temos algumas aeronaves operando na Argentina, Paraguai e Uruguai, cujas vendas ainda damos suporte. Faz aproximadamente seis anos que não vendemos para o Exterior. Não há interesse da agricultura externa no Ipanema”, frisa Borges.

Mas nem sempre foi assim. Em 1975, o Ministério de Agricultura e Pesca do Uruguai encomendou dez unidades do Ipanema, juntamente com cinco do BEM 110 Bandeirante, marcando a 1a exportação da Indústria Aeronáutica Neiva, que em 1980 foi adquirida pela Embraer. Com a integração das duas empresas, a produção do Ipanema foi transferida para Botucatu, onde até hoje é executada.

As aeronaves Ipanema deixam a Embraer em três cores: verde, laranja avermelhado e amarelo, explica o diretor de comunicação externa da empresa, Carlos Eduardo Camargo. “Em 2005, quando começamos a fabricar a versão etanol, eles eram verdes, numa associação com o combustível brasileiro”, explica.

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Produção rápida

Dois meses bastam para que o Ipanema deixe o papel e vire uma aeronave capaz de ajudar a produção agrícola brasileira. “É um avião de complexidade menor em comparação com os outros aviões que a Embraer fabrica. Alguns kits são preparados antecipadamente e no momento certo são utilizados. É uma aeronave que se consegue integrar às partes dele muito rapidamente. Custa em torno R$ 640 mil. A manutenção é barata e a mecânica é simples,” comenta o diretor de comunicação externa da empresa, Carlos Eduardo Camargo.

As partes metálicas que vão compor a fuselagem são as primeiras a ganharem corpo. “O início são as peças menores. O motor é a parte mais cara do avião e fica por último. Nos demais modelos fabricados pela Embraer, a parte de cabeamento, tubulação, hidráulica é produzida na unidade de São José dos Campos”, complementa.

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Voo inaugural

O voo inaugural do Ipanema foi realizado no dia 31 de julho de 1970, na sede da Embraer, em São José dos Campos. A empresa Corsário de Aviação, de Goiás, foi a primeira cliente do Ipanema, com a encomenda de dez aeronaves, feita em março de 1971.

No ano seguinte, o exemplar de número um, matrícula PT-GBA, foi entregue e começou a ser usado no combate a pragas que ameaçavam as plantações de algodão.