09 de julho de 2026
Nacional

Refeição fora de casa sobe o triplo do que no domicílio

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Apesar da queda no preço dos alimentos nos últimos meses, o valor das refeições feitas fora de casa vem subindo, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) usado como referência para as metas de inflação. Em 12 meses, enquanto a alimentação no domicílio aumentou 2,53%, a fora de casa teve alta de 7,90%.

Isso significa que o primeiro item subiu menos que a inflação no período, de 4,60%, e que o segundo avançou mais que o índice.

A gerente de pesquisa do IBGE Irene Maria Machado afirma que o preço cobrado nos restaurantes não reage imediatamente à variação do valor dos alimentos.

No início do ano, o preço de alimentos “in natura” subiu em razão das chuvas. Machado destaca que o aumento de preço nos restaurantes pode ser um efeito retardado dessa variação passada.

Agora, com a seca em parte do País, os preços do leite e de alguns outros produtos tendem a sofrer variações.

Entretanto, de acordo com empresários do ramo de restaurantes, um item acaba compensando o outro, e os comerciantes preferem administrar a margem de lucro temporariamente a repassar todas as variações sazonais aos consumidores.

A analista do IBGE também ressalta que as refeições fora de casa embutem os custos de funcionamento dos estabelecimentos, mão de obra e tributos.

Com o aquecimento da economia, o preço dos serviços e a remuneração dos trabalhadores registram expansão. O valor dos aluguéis também tem crescido. Apesar dessa pressão, Machado diz que, no ano, os índices de preço denotam acomodação da inflação.

Comer em casa

Mesmo com a perspectiva de inflação sob controle, porém, o engenheiro de computação Manuel Sol Bisio, 27 anos, de Brasília, não pensa em voltar a fazer suas refeições na rua. Ele deixou de comer em restaurantes há cerca de quatro meses. “Eu e a minha mulher almoçávamos perto do trabalho e tínhamos que jantar na rua também. Isso dava quase R$ 100,00 por dia”, afirma.

Tendência

Ricardo Bartoli de Angelo, presidente da seção paulista da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), diz que não há - nem deve haver - uma disparada no preço das refeições.

O dirigente afirma que, embora os consumidores tenham agora uma renda maior e queiram sair mais de casa, a estratégia dos empresários é ganhar em escala. “O comerciante só mexe no preço se não tem outro jeito. Principalmente porque a concorrência no setor é enorme”, afirma Angelo.