Quando foi convidado a conhecer a comunidade de Salinas, no norte de Minas Gerais, o estilista Ronaldo Fraga torceu o nariz. Além de seu estúdio e fábrica na Capital mineira (prestes a se mudar para sede maior), toda vez que viaja a trabalho com a mulher e parceira Ivana, deixa também os filhos Graciliano e Ludovico, de 6 e 8 anos, “que já aprenderam a cobrar a data de minha volta”. Muito por isso, gostou de ouvir que levaria apenas meia hora de carro de Montes Claros até a cidade que é sinônimo da cachaça.
Quatro horas depois e nada. “A produtora do projeto, que me fez o convite para desenvolver um trabalho com a comunidade local, contou depois que, se me tivesse dito a verdade, eu não iria. Mas fui e me apaixonei. Comecei a desenvolver oficinas de costura e o trabalho deu tão certo que acabei aceitando outros. E cheguei até Passira, agreste pernambucano, conheci as rendeiras, bordadeiras da região e as suas tradições que estão morrendo”, lembra o estilista, enquanto mostra flores, anjos e asas-brancas que foram bordados pelas mulheres daquelas cidades durante oficinas ministradas por ele.
Quase que por acaso, essas figuras e bordados estampam as peças da coleção Ronaldo Fraga Primavera/Verão 2011, que o estilista mostrou no dia 14 de junho, encerrando a São Paulo Fashion Week, denominada Turista Aprendiz. Mas não por acaso seus desfiles costumam arrancar lágrimas da plateia.
Cheios de cores, texturas, um verdadeiro espetáculo à parte da coleção, remetem a referências muito além das roupas que o estilista cria. “A coleção sempre fica pronta na última hora, mas não me desespero. Com a cenografia e a trilha definidas, permaneço tranquilo”, disse Fraga.
Mineiro que já pôs o trabalho de Carlos Drummond de Andrade na passarela (e para ajudá-lo convidou costureiras de Itabira), essa situação era absurda. “Hoje, além de vender o trabalho delas nas minhas lojas, saber que poderei vê-las caminhando por si próprias é o que mais me inspira”, conta o estilista, que não reclama mais das longas viagens. “Mesmo que consumam tempo e empenho, essas andanças me alimentam, inspiram e renovam. Não deixo de viajar nunca mais.”
Cores
E onde entra “O Turista Aprendiz” nesta coleção? “Sou fascinado pela obra do Mario de Andrade, principalmente pelo ‘Turista Aprendiz’, porque ele faz seu diário de bordo das andanças do Sudeste ao Nordeste, descobrindo riquezas das regiões que, até a Semana de Arte Moderna de 22, passavam despercebidas. Sempre quis fazer a viagem que ele fez, mas nunca tive tempo.”
O estalo veio em uma das viagens de volta de Passira. “Parei e pensei: ‘Sou um turista aprendiz!’ Adoro fotografar, filmar, escrever sobre essas viagens. E resolvi contar minha viagem. Se eu soubesse escrever, escrevia. Mas sei é fazer roupa Então, criei uma coleção.”
Traduzindo essas viagens em informação de moda, Fraga traz o calor do Nordeste em uma coleção ‘com muita pele’. Ao gosto dele, as formas continuam amplas, perfeitas para um dia quente, mas os vestidos perdem comprimento e as pernas aparecem sob godês, drapeados e lacinhos. Os boleros com cara dos anos 20 chegam com um shape contemporâneo.
“Para meus padrões, é uma mudança e tanto, mas é o que o Nordeste pede. É uma região muito feminina.” A palheta de cores surge das paredes caiadas locais desbotadas pelo sol forte. “Tem coisa mais linda que um verde-água, um salmão, o azul dos azulejos, o piso colorido?”, questiona.
Tem. O anil que tinge o tecido de algodão e dá forma às flores que, em seguida, serão bordadas com paciência de ourives pelas ‘alunas’ de Ronaldo. “Não sei bordar, mas olho para esse universo e invento outra proposta.”
Enquanto ministrava os workshops, Ronaldo reparou que muitas mulheres levam os filhos por não ter com quem deixá-los. “Elas ficam quietinhas, prestando atenção. Se pelo menos uma criança aprender o ofício, se tornar um estilista, meu dever estará cumprido.”
____________________
Coquetel de cores
Que tal um vestido amarelo com jaqueta laranja ou roxa ou uma calça verde bandeira com camisa azul-marinho? Parece ousado demais? Pois saiba que montar looks coloridos não é tão complicado assim.
As combinações óbvias, com tons neutros como o preto, cinza e branco, não estão descartadas. Entretanto, é possível deixar seu visual ainda mais interessante valendo-se de regrinhas simples para saber qual cor cai melhor com outra.
A consultora de moda Ana Vaz explica que todas as cores podem combinar entre si. “Tudo vai depender do objetivo e do estilo de cada pessoa.”
Ela conta que existem dois tipos possíveis de mistura: harmonia por semelhança e harmonia por diferença. No primeiro caso, são utilizadas cores parecidas ou similares como caramelo com bege ou amarelo com laranja.
No segundo, as cores são opostas, como roxo com amarelo ou vermelho e verde, por exemplo. “O que vai fazer a diferença é o tom escolhido em cada caso. Cores mais vivas denotam um look mais ousado, enquanto que tons mais suaves deixam o visual mais discreto”, explica Ana.
Para quem busca um estilo mais sofisticado, o ideal é mesclar uma cor opaca com uma mais viva. Por exemplo: vermelho-cereja com verde-musgo. “É preciso cuidado ao misturar cores vivas com preto. Para funcionar, a peça precisa ser feita num tecido fino, com um bom corte”, ressalta a consultora.
E para quem adora o duo branco e preto, a sugestão da especialista é optar pelo chamado off-white, que é um branco não tão intenso, envelhecido, que fica ainda mais bonito. “Outra dica é que quanto mais opaca, mais monótona é a peça. Aí o tecido tem que ser mais fino e com formas exuberantes. Já se a cor é muito viva, as formas devem ser mais simples.”
Mas se ainda assim surgir aquela insegurança, a consultora de moda Renata Vieira sugere coordenar cores com a mesma intensidade (escuro, claro, opaco, vivo) e mesma tonalidade. “É bom lembrar que a textura do tecido influencia muito no resultado final da cor. Uma blusa vermelha de seda terá a cor diferente do mesmo vermelho numa blusa de lã.”
E será que há alguma combinação que é um verdadeiro crime? Renata afirma que não, mas alerta: a mistura de cores de tonalidades diferentes pode criar um visual em desarmonia, já que a mesma cor pode variar. “Por exemplo, o verde misturado com amarelo resultará num verde parecido com o da alface. Já o mesmo verde misturado com azul resultará num verde azulado”, conta Renata.
____________________
Pele e cabelo
Na combinação de cores, outros fatores que fazem a diferença, segundo os especialistas, são os tons de pele, de olhos e de cabelo de cada pessoa.
Essas características físicas também influenciam a escolha da melhor cor para o look. Segundo Renata Vieira, o estudo da coloração individual não é tão simples. “São feitos testes com diversas cores e comparações entre tons quentes, frios e neutros para se chegar ao conjunto de cores predominante.”
A consultora Ana Vaz explica que ela costuma trabalhar com três grupos: claro e escuro; vivo e opaco; quente e frio.
“Quando não há muito contraste entre cabelo e pele, o melhor é optar por cores opacas. Já se o contraste é grande, opte por cores mais vivas”, destaca Ana.
Porém, a consultora de moda ressalta que encontrar a melhor coloração pessoal não significa que não se possa usar os demais tons. “Na parte de cima, opte pela cor que lhe cai melhor e, na parte de baixo, escolha o tom que preferir.”
Outra dica é colocar uma peça de uma cor que lhe fique bem perto do rosto e avaliar o efeito. Se a pele e a boca tenderem para o tom rosado ou lilás, e as olheiras e manchas da pele não saltarem, é porque essa cor funciona bem para você.