Com direito a um vídeo motivacional com cenas do filme “Gladiador”, cerca de 40 pessoas, entre autoridades, comerciantes e representantes de clubes de serviço, ouviram na tarde de ontem uma proposta para revitalizar a Feira do Rolo de Bauru.
O evento, que é realizado aos domingos nas adjacências da quadra 1 da rua Júlio Prestes, atrai milhares de pessoas. Segundo a Polícia Militar (PM), o público estimado fica entre cinco e oito mil, porém, os comerciantes que trabalham no local afirmam que esse número é muito maior: 15 mil pessoas.
A proposta foi idealizada pelo 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I). Para o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do Batalhão, a ideia é utilizar a revitalização justamente para aumentar a segurança da área.
“Com a melhoria do local, iremos evitar que pessoas mal intencionadas e que comercializem produtos ilícitos fiquem no local. Queremos estimular a área com finalidades turísticas e culturais e, assim, melhoraremos a segurança de todos”.
A maior preocupação apontada pelo comandante é o tráfico de drogas e a venda de objetos que são produtos dessa prática na feira.
Entre as ideias levantadas para a revitalização da área, Garcia pede a limpeza, a pintura e a apresentações culturais durante o evento. Ele ainda aponta que o trabalho deve ser feito em duas etapas. A primeira seria realizada na semana entre os dias 20 e 25 de setembro, na qual ocorreria toda a preparação do local, com limpeza, pintura, grafitagem com temas históricos e a ambientação para apresentações culturais.
Já a segunda etapa seria o evento em si. “No dia 26 de setembro, podia ser o marco zero da revitalização. A solenidade de abertura. Acho que seria interessante fazer apresentações culturais na data”, afirma o tenente-coronel.
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli Jr., esteve presente na reunião e afirmou que a empresa irá ajudar na parte operacional da revitalização, tanto na limpeza quanto na pintura da área.
Comerciantes aprovam
Entre os presentes, havia cinco comerciantes que trabalham na Feira do Rolo. O representante dos trabalhadores informais da feira, Amilcar de Oliveira Carvalho, apontou que não convocar os comerciantes em maior número foi o único ponto fraco do projeto.
“Deviam ter chamado todo mundo. Isso seria muito bom para não assustá-los. Vamos supor que o pessoal comece a pintar e limpar, se eles não souberem do que se trata, vão ficar receosos. Porém, se esclarecerem tudo, com certeza eles vão apoiar a proposta”.
Apesar de otimista, Amilcar Carvalho ainda afirma que é preciso estudar bem as propostas. “Eles falaram em construir um palco com apresentações culturais. Acho a ideia positiva, mas é preciso analisar o contexto. Esses eventos culturais não podem atrapalhar o comércio e nem tomar um lugar em que poderia estar uma barraca. Tudo tem que ser pensado”, complementa.