Piratininga - A procura por uma casa para alugar em Piratininga (13 quilômetros de Bauru) não é tarefa das mais fáceis. Segundo a prefeitura, o déficit habitacional no município é grande e, quando existem moradias disponíveis, o preço do aluguel é elevado. Para piorar, a construção de 147 unidades pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), que estava prevista para começar neste semestre, vai ser iniciada apenas no ano que vem.
A informação foi confirmada pelo gerente regional da CDHU em Bauru, Carlos Roberto Ladeira, em reunião realizada na semana passada com o prefeito Odail Falqueiro (PTB), o presidente da Câmara José da Graça de Oliveira, o “Zé Gordinho” (PSDB), e os vereadores Marcelino Donizete Pereira Cardoso, Sônia Halim Farha Ferreira, Claudinei Aparecido Balduino e Manoel Jerônimo Ferreira do Espírito Santo.
De acordo com a prefeitura, em novembro do ano passado a CDHU informou que a construção das 147 casas populares, de dois e três dormitórios, teria início no segundo semestre deste ano. O atraso no prazo inicial motivou a cobrança por parte do município.
“Nosso objetivo foi realmente averiguar o que ocorreu para que esse atraso acontecesse. Também fizemos um apelo ao gerente Ladeira para que ele acelere o trabalho e possa logo iniciar as obras”, declarou o prefeito.
O chefe do Executivo explica que a prefeitura cumpriu sua parte no processo e entregou à CDHU toda a documentação no prazo exigido. “Desde o iniício do nosso mandato, temos nos empenhado em concluir o processo junto à CDHU para que pudessem licitar a obra. Tudo que foi solicitado foi enviado e ficamos, então, dependendo da parte deles”, afirma.
O prefeito ressalta que, acompanhado de vereadores, fez dezenas de viagens ao escritório da companhia em São Paulo para verificar o processo de construção das moradias populares. “Estamos preocupados com a demora em iniciar a construção dessas casas. A população está muito ansiosa e com grande esperança de conseguir um imóvel e se livrar do aluguel”, diz.
Durante a reunião, o município solicitou ainda maior transparência na seleção das pessoas que vão participar do sorteio das casas. Segundo Falqueiro, moradores da cidade adquiriram imóveis da CDHU em outras oportunidades e depois venderam. “Pedimos que a CDHU possa barrar, na hora da inscrição das casas, aquelas pessoas que já pegaram casas e venderam. Não acho justo uma pessoa pegar a casa e depois vender, enquanto tem outras necessitando realmente daquele teto”, enfatiza.
Razões do atraso
De acordo com o prefeito Odail Falqueiro, a CDHU alega que a demora no início das obras ocorreu em razão de problemas com excesso de burocracia, concessão de licenciamento ambiental, modificação da área do Incra para urbana e também por complicações na elaboração do projeto pelo setor de engenharia, devido à topografia e retirada de terra do local.
A CDHU informou que a previsão é de que a obra seja licitada no mês que vem. Já a construção das casas deve começar apenas no início do próximo ano. Ainda de acordo com informações prestadas pela companhia à prefeitura, a estimativa é de que somente no final de 2011 as casas estejam disponíveis para a população.
A engenheira do órgão, Vivian Garcia, confirma os novos prazos e explica que o atraso foi motivado na fase de execução do projeto da obra. “O projeto é desenvolvido, para cada obra, por empresas contratadas pela CDHU. Era para estar tudo pronto em maio, mas houve um atraso na análise do projeto e algumas diretrizes tiveram que ser alteradas”, relata. Ela diz que, em setembro, tudo já vai estar acertado para que seja aberto o processo de licitação da obra.
Segundo informações prestadas pela CDHU ao Executivo, quando a obra estiver 70% concluída, será iniciado o processo de seleção dos interessados. A estimativa é que isso ocorra apenas no segundo semestre do ano que vem. Para participar, os populares terão que comprovar que trabalham ou residem no município há, no mínimo, três anos. Os candidatos que já adquiriram casas populares e venderam, ainda que não tenham deixado dívida com a CDHU, serão barrados.
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Dificuldades
André Luiz Moura Falqueiro, que é proprietário de uma imobiliária em Piratininga, confirma a dificuldade de se encontrar uma residência para alugar no município. “Aqui, por incrível que pareça, a gente tem mais procura do que oferta”, afirma. “Hoje, a gente tem uma carteira de 120 casas alugadas e nenhuma disponível para aluguel”. A lista de espera, segundo ele, já chega a mais de 20 pessoas.
Além disso, o proprietário da imobiliária observa que os valores dos aluguéis cresceram em média 50% nos últimos anos. “A gente sentiu um aumento grande de uns dois anos para cá. Devido à procura e oferta, acabou se elevando o valor de mercado”, ressalta.
“Aqui, muita gente acaba não colocando os imóveis na imobiliária porque a procura é muito grande”.
Em relação às unidades disponíveis para venda, Falqueiro revela que a situação não é muito diferente. “Nós temos bastante procura de compradores, mas poucas opções”, declara. “E outra dificuldade que a gente tem é que Piratininga tem poucas casas prontas para financiamento”, diz, explicando que essa modalidade é a mais procurada atualmente por quem deseja adquirir sua casa própria. (LG)