10 de julho de 2026
Regional

Marília faz estudo para identificar obesidade em alunos

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - Desde a primeira quinzena deste mês, o Centro de Atendimento à Obesidade Infantil (Caoim) de Marília (100 quilômetros de Bauru) realiza levantamento para identificar casos de sobrepeso e obesidade em cerca de 10 mil alunos da rede municipal de ensino na faixa etária de 6 a 10 anos.

A equipe multidisciplinar, formada por cirurgiã-dentista, enfermeira, fisioterapeuta, duas nutricionistas, psicóloga e dois educadores físicos, iniciou os trabalhos pela Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) “Prof. Olímpio Cruz”, localizada no Jardim Santa Antonieta. No total, 19 escolas serão contempladas pela coleta de dados até o dia 15 de dezembro.

O Caoim é uma unidade da Secretaria Municipal da Saúde que atende crianças e adolescentes na faixa de 7 a 17 anos com indicadores de sobrepeso e obesidade. Ao iniciar a nova turma, no dia 2 de agosto, os profissionais foram surpreendidos pelos dados alarmantes obtidos.

“O relatório de avaliação da pressão arterial, após teste de esforço, apontou que 36% das 70 crianças e adolescentes matriculados apresentaram alteração dos valores da pressão arterial, sugerindo um quadro hipertensivo (dados baseados na V Diretrizes de Pressão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia)”, revelou o fisioterapeuta Guilherme Augusto Ravanelli.

Os dados representam aumento de 176% neste indicador em comparação com o primeiro semestre de 2010, quando das 86 crianças que permaneceram até o final do programa, apenas 13% registraram alteração nos valores de pressão arterial.

Diagnóstico

Segundo a coordenadora do Caoim, Luciana Pfeifer, o diagnóstico conclusivo para a hipertensão só é possível a partir de uma sequência de exames clínicos e complementares juntamente com acompanhamento médico.

“Os resultados obtidos, sugerindo a hipertensão, nos preocupam muito e devem servir de alerta para os profissionais de saúde, para as autoridades e, também, para a população quanto à gravidade da situação, uma vez que a hipertensão normalmente se apresenta assintomática”, declara.

O fisioterapeuta explicou que, antes de iniciar o programa, todas as crianças e adolescentes realizam teste de caminhada de esforço de 6 minutos. “Isso é necessário para avaliarmos as condições cardiorrespiratórias visando a liberação ou não para as atividades físicas do programa”, diz.

De acordo com ele, o monitoramento dos participantes está sendo feito semanalmente. “Os casos em que os valores de pressão arterial permanecerem alterados serão contra-referenciados para a Unidade de Saúde de origem a fim de que possam ter o acompanhamento médico necessário”, conta.

“Enquanto isso, estão sendo realizadas atividades mais leves para o grupo dos 36% de modo a garantir sua participação nos circuitos de atividades propostas pelo programa de atendimento à obesidade infanto-juvenil, mantendo-os integrados com os demais”, acrescenta Ravanelli.

Segundo a coordenadora do Caoim, em 2006 foi realizado um levantamento antropométrico com 5.313 crianças de 6 a 10 anos na rede municipal de Ensino. Na oportunidade, foi detectado que 12% delas estavam com sobrepeso e 18% apresentavam IMC (Índice de Massa Corporal) equivalente à obesidade.