Não deixar as EMEIs fecharem para recesso, instituir o Toque de Recolher, reduzir a maioridade penal. O que fazer com essas crianças? Esses jovens parece que não têm mãe. Eles têm mãe, sim, mas é que os pais trabalham muito, trabalham sem parar. Às vezes o problema não é assim um bicho de sete cabeças. O que falta é as pessoas usarem a cabeça. A cabeça, o bom senso, o respeito pelos outros. A questão não é trabalhar mais ou menos, receber um pouco mais ou não. Se sairmos perguntando aos comerciários, iremos ouvir de muitos que é interessante, sim, trabalhar aos domingos, aos feriados, até as 10 da noite...Afinal, eles precisam de dinheiro. O problema, na realidade, é que estamos falando de pessoas, e as pessoas têm casa, têm problemas pessoais, têm sonhos de um futuro melhor, têm namorado, têm família. E família não precisa apenas ser abastecida, família tem que ser administrada, tem que ser vivida. Com muita freqüência é preciso um tempinho (não tão pequeno assim) para ouvir os filhos sobre um problema na escola, para acertar o relacionamento com o companheiro, preparar aquela tão esperada receita e reunir a família à mesa – um dia só não dá. E se nem um diazinho houver, então? Como é que fica a casa, como é que fica a família, como é que vão ficar as crianças?
A gente é sempre muito bem atendido no comércio de Bauru. E comerciários também se manifestam para que o comércio funcione até mesmo aos domingos. A melhor pesquisa, no entanto, é a gente olhar para a carinha um tanto exausta e até mesmo triste de um vendedor, um caixa de supermercado, um funcionário de uma loja. Quem não vivencia isso sempre? Dá para imaginar o cansaço, a cabeça pensando na casa, na família, no namorado. Será que nunca irá haver tempo mesmo para se preocupar e para ir atrás dos próprios problemas? Nem num bendito feriado? Conversei na sexta-feira com uma caixa de supermercado e ela me contou que estava trabalhando das 7h às 22h
A cidade precisa crescer, abrir as portas para investimentos de fora; quem trabalha durante a semana precisa também fazer suas compras; muita gente precisa de emprego. Existem questões a serem equacionadas, sim, mas esse ônus não pode ser jogado todo sobre as costas dos trabalhadores. Trabalhador não é máquina, nem manequim, que você pega e põe onde quiser, quando você quiser e pelo tempo que for necessário
As longas horas de trabalho dos comerciários são colocadas como peso para garantir o desenvolvimento da cidade, para fugir do retrocesso que pode nos emperrar o crescimento, mas o que que essa gente irá ganhar com isso? Mais longas horas de trabalho, para que o comércio de Bauru não fique em desvantagem com os grandes grupos que aqui vierem a se instalar? Os adolescentes estão ficando fora de controle? A família está se desintegrando? A sociedade tem que procurar uma resposta para isso.
Uma pessoa na Câmara começa a tomar uma atitude a respeito e é vista quase como um terrorista, alguém que tivesse cometido um grande sacrilégio. O vereador Roque ficou lá, sozinho, sozinho na hora de tomar uma atitude com relação a todos esses problemas. Dá pra sentir um certo desequilíbrio no legislativo na luta pelos interesses na cidade. Na hora de eleger alguém para a Assembleia Legislativa, ou mesmo para Brasília, precisamos de pessoas que pensem primeiro nas pessoas. Não estive presente na sessão da Câmara, mas fica aqui registrado o meu aplauso para o vereador Roque.
Mauro Cesar Pereira