10 de julho de 2026
Polícia

Homens tentam levar vagões de Bauru e são barrados pelo Codepac

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

No início da tarde de ontem, a Estação Ferroviária Central de Bauru foi cenário de uma situação, no mínimo, inusitada. Homens de São Paulo vieram preparar dois vagões para serem transportados para a Capital, porém, foram impedidos por membros do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru e da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo (APFFB). A secretária municipal de Cultura, Janira Bastos, também participou da intervenção.

Tudo começou quando dois homens chegaram em uma caminhonete, sem identificação institucional, de São Paulo e, dizendo-se funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), afirmaram que precisariam preparar dois vagões para serem transportados.

O vice-presidente da APFFB e conselheiro do Codepac, Ricardo Bagnato, ficou sabendo da solicitação e se dirigiu ao local. Segundo ele, os homens disseram que possuíam uma autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para realizar a respectiva preparação de transporte, porém, não a apresentaram.

De acordo com Bagnato, os homens mostraram as carteiras de identificação, confirmando que realmente trabalhavam na CPTM, contudo, em relação à autorização, ele afirma que consultou o Dnit e não havia qualquer documento que permitisse a operação.

Abordados pela reportagem, os dois homens afirmaram que não podiam dar entrevistas por ordem da empresa. A assessoria de comunicação da CPTM foi procurada para comentar o caso, porém, no final da tarde de ontem, afirmou que não conseguiu apurar se eles eram realmente funcionários da empresa e tampouco o que ocorreu.

Quanto aos direitos de posse dos vagões, o presidente do Codepac, Sérgio Losnak, explica que eles já são da Prefeitura de Bauru, mesmo que ainda esteja correndo um processo de transição entre os bens ferroviários.

“A lei que extinguiu a Rede Ferroviária Federal determinou a divisão de bens operacionais, não operacionais e históricos. O que está acontecendo agora é um trâmite para entregar os bens a cada órgão. Os vagões envolvidos no caso de hoje (ontem) já são posse do município”.

Exatamente por deter a posse dos vagões e por não ter sido apresentada a autorização necessária, a secretária de Cultura, Janira Bastos, registrou um boletim de ocorrência para que o caso seja averiguado.

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‘Bauru não será mais celeiro’

O vice-presidente da APFFB, Ricardo Bagnato, afirmou que Bauru não fornecerá mais material ferroviário a outras cidades. “As pessoas acham que podem vir aqui e pegar o nosso material para levar para outras localidades. Bauru não será mais celeiro de material ferroviário. Não iremos mais alimentar museus, associações e empresas”, afirma.

Ele conta que, ainda ontem, uma equipe da cidade de São Simão veio a Bauru para sondar como poderiam montar um museu ferroviário próprio. Apesar de somente terem vindo em busca de informações, o fato já demonstra a imagem de Bauru como fornecedora no cenário nacional.

De acordo com ele, mesmo que tenham autorização, haverá inúmeros esforços para conseguir proteger e manter os bens. “É lei municipal que não se mexe em patrimônio histórico. Se forem retirar algo daqui, vai ter que haver briga na Justiça para isso”.

No passado, Bagnato conta que muito já foi retirado e isso causou um prejuízo imensurável ao patrimônio. Por isso, há essa postura atual de defesa dos bens.

Entretanto, ele explica que existe parte do material que pode ser fornecido, desde que seja amparado legalmente. “Nós temos 58 locomotivas que eram da Estrada de Ferro Sorocabana. Dez delas foram protegidas e já pertencem a Bauru. As 48 restantes, se ficarem por aqui, serão sucateadas. Então, se uma prefeitura de fora ou associação quiser levá-las, ficaremos felizes com isso. Porém, tudo tem que ser feito de acordo com a lei”.