11 de julho de 2026
Internacional

Nove brasileiros são presos na Espanha acusados de integrar rede de prostituição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Barcelona - Nove brasileiros foram presos ontem acusados de integrar rede de prostituição de homens na Espanha. Foi a primeira vez que uma organização desse tipo foi desmantelada no país.

Segundo a polícia espanhola, o esquema pode ter até 80 integrantes, a maioria do Brasil. A rede era comandada em Palma de Mallorca (Ilhas Baleares) e operava em várias províncias.

Foram 14 presos em cinco cidades - os nove brasileiros, um venezuelano e quatro espanhóis.

A polícia diz que os brasileiros - recrutados em sua maioria no Maranhão - eram enganados sobretudo com respeito às condições de trabalho (cobrava-se deles mais do que esperavam), mas não sobre a atividade que os aguardava na Espanha.

No país, como no Brasil, prostituição não é crime, mas a cafetinagem é.

A polícia não divulgou quantos dos detidos são aliciadores. Mas mesmo os garotos de programa podem ser acusados de crimes como tráfico de drogas, além de imigração ilegal.

Drogas e Viagra

No esquema relatado, os jovens recebiam passagens aéreas compradas com cartão de crédito clonado. Entravam na Europa por aeroportos fora da Espanha.

Uma vez na Espanha, os brasileiros eram enviados a várias cidades, onde seus serviços eram oferecidos aos clientes - homens de renda e idade das mais variadas.

Para trabalhar mais, recebiam cocaína, Viagra e popper (droga vasodilatadora). Cobravam cerca de 60 euros (R$ 130) e deixavam metade com o dono do apartamento onde trabalhavam, mais 200 euros mensais pela moradia.

Além disso, eram obrigados, inclusive sob ameaça de morte, a reembolsar o gasto com a viagem à Espanha -o valor chegava a 4.000 euros.

A investigação teve ajuda do governo brasileiro e começou em fevereiro, a partir de informações de um homem recrutado pelo esquema. O destino dos presos será decidido pela Justiça espanhola.

A Espanha é há muito um destino de prostitutas do Brasil: levantamento de 2008 indicou que quatro de cada cinco das 2.500 que atuavam em Mallorca eram brasileiras.

Naquele ano, o rigor da imigração espanhola -com muitas deportações- abriu uma crise diplomática entre Brasília e Madri.

Ontem, o anúncio do desmantelamento da quadrilha detonou nova rodada de comentários xenófobos nos sites espanhóis.