A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) informou que realmente os dois homens que estiveram anteontem em Bauru com objetivo de preparar dois vagões de passageiros que estão na cidade para levá-los à Capital são seus funcionários. E garantiu que tem documento que comprova a cessão dos vagões da Rede Ferroviária Federal à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, que, por sua vez, por meio de convênio, cedeu os vagões à CPTM.
Todo o processo, segundo nota da empresa, tem anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Inphan). A CPTM afirma que sua meta é o restauro dos vagões para que possam voltar a operar e a contribuir com a preservação do patrimônio ferroviário. Porém, até as 18h de ontem, a secretária de Cultura, Janira Bastos, não havia recebido o documento que comprovaria que a companhia tem a posse dos vagões.
Anteontem, membros do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac), da Associação de Preservação Ferroviária e de Ferromodelismo (APFFB) e a própria Janira impediram que os dois homens preparassem os vagões para serem levados para Capital. Eles não apresentaram documento da posse dos vagões e havia dúvidas, inclusive, se eram mesmo funcionários da CPTM.
A Rede Ferroviária Federal, Fepasa e Sorocabana, após a liquidação, iniciou um processo de inventário, no qual a Prefeitura de Bauru reivindica vários bens ferroviários. Os vagões que a CPTM argumenta ter posse estão entre eles. Apesar do processo de transição desses bens ainda não ter terminado, como estão em Bauru há muitos anos e sob os cuidados da prefeitura, a expectativa é que fiquem na cidade como seu patrimônio histórico-ferroviário.
Por isso, tanto o Codepac quanto a Associação de Preservação Ferroviária e a Secretaria de Cultura foram surpreendidos com a presença dos dois funcionários da CPTM e exigiram documentação. Janira ressalta que ontem à tarde foi procurada, por telefone, por uma pessoa que disse ser da CPTM, que ficou de enviar o documento de cessão. “O senhor disse, por telefone, que tem uma concessão da época do então governador Covas (Mário Covas, falecido em março de 2001)”, relata.
Assim que o documento chegar à Secretaria de Cultura, Janira explica que o enviará para análise da Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos. “Se realmente a autorização é da época do Covas, é muito antiga e queremos saber se legalmente ainda é válida”, frisa. Anteontem, vice-presidente da APFFB, Ricardo Bagnato, afirmou que lutará para que os bens ferroviários permaneçam em Bauru.
“As pessoas acham que podem vir aqui e pegar o nosso material para levar para outras localidades. Não iremos mais alimentar museus, associações e empresas”, afirmou na ocasião.
De acordo com ele, mesmo que a CPTM tenha autorização, não serão poupados esforços para conseguir manter os bens em Bauru. “Se forem retirar algo daqui, vai ter que haver briga na Justiça para isso”, adiantou.