09 de julho de 2026
Regional

Jaú troca de secretário na Saúde

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú – O médico pediatra Abdala Atique assumiu ontem a Secretaria Municipal de Saúde de Jaú (47 quilômetros de Bauru) no lugar de Jaime Roberto Spanghero com a promessa de humanizar o atendimento aos pacientes e enxugar os gastos da pasta. O novo titular também se comprometeu a buscar uma solução para os problemas decorrentes das recentes mudanças no Núcleo de Gestão Assistencial (NGA). Hoje, as pessoas que dependem de remédios não disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm que deslocar até Bauru para buscar requerimento de solicitação do medicamento.

De acordo com a prefeitura, o ex-secretário de Saúde pediu ao prefeito Osvaldo Franceschi Junior (PV) seu afastamento do cargo por questões pessoais. “Na semana passada, o Dr. Osvaldo me chamou, fez o convite, eu fiquei de conversar com a família e aceitei”, explica o novo titular da pasta. “Recebi o convite encarando como um desafio e, como a cidade me deu tudo o que tenho, fiz minha vida aqui em Jaú, achei que tinha que dar alguma coisa para a cidade”.

Atique possui ampla experiência na área da saúde, inclusive em gestão administrativa. Além de desempenhar a função de médico há quase quarenta anos, já trabalhou no antigo centro de saúde de Jaú, no setor administrativo do NGA, nas Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária e no Núcleo de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento da antiga DIR-10, hoje DRS-6, onde controlava doze cidades da microrregião de Jaú.

Na sua gestão à frente da Saúde, um dos setores mais problemáticos do País, o médico terá a difícil tarefa de buscar uma maior humanização no atendimento dos pacientes. “Nós assumimos hoje (ontem) com a intenção de fazer, a pedido do prefeito também, uma humanização da saúde como acredito que a maior parte dos funcionários públicos tenta fazer”, diz. “Só que a gente pode, talvez, melhorar algumas coisas no atendimento, de modo que haja satisfação maior para a população”.

O secretário também promete enxugar gastos por meio de melhor gerenciamento dos recursos e oferecer condições de trabalho mais dignas aos servidores para que o atendimento à população também melhore. “Se a gente conseguir fazer um enxugamento e melhorar as formas de gasto, vamos tentar fazer”, diz. “A prioridade é, principalmente, humanizar a saúde e também não deixar haver falta de medicação, principalmente a básica”.

Parceria

O novo secretário de Saúde de Jaú informou que já iniciou as conversas com a diretora da Divisão Regional de Saúde-6 (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, para tentar resolver a situação dos pacientes carentes que precisam de medicamentos não disponibilizados pelos SUS e que acabaram sendo afetados pela novo modelo de atendimento do Estado, que prevê a centralização dos pedidos nas regionais.

Até então, para solicitar o remédio, o paciente tinha que ir até o NGA, retirar formulário chamado anexo 2 e levar para seu médico preencher. Em seguida, o documento era entregue no NGA, que o mandava para análise de uma comissão de médicos em Bauru. Se o pedido fosse negado, o paciente recebia na hora uma negativa que o permitia ingressar com ação judicial contra o Estado. Se fosse deferido, o remédio poderia ser retirado diretamente no NGA.

Com a mudança, o paciente ou seu procurador legal têm que se deslocar até Bauru com receita médica. Se o remédio não pertencer a nenhum programa mantido pelo Estado, será entregue a ele um formulário numerado que deve ser preenchido pelo médico em Jaú. O paciente, então, tem que retornar a Bauru com formulário e receita. Cópia escaneada dos dois documentos é enviada para análise de comissão de especialistas em São Paulo, que autoriza ou não a entrega.

Atique defende a participação do município nesse novo processo e garante que já está se mobilizando para que não haja prejuízos à população de Jaú e região. “Para um indivíduo sair daqui e levar o documento até Bauru é complicado. A gente pode colocar aqui pelo menos um lugar onde se possa pegar o documento e levar para Bauru e a gente mesmo trás de Bauru para cá”, sugere. “Há um entendimento bom da parte do DRS e da gente aqui de modo que a gente consiga harmonizar a situação e que não haja prejuízo”.

Na última segunda-feira, a Defensoria Pública do Estado em Jaú protocolou ofício ao coordenador geral de administração da Secretaria Estadual de Saúde, Reinaldo Noboru Sato, solicitando que o NGA instalado no município volte a receber os requerimentos administrativos de medicamentos não disponibilizados pelo SUS.